Papo Lendário #112 — A Canção de Eru

Leitura de Pergaminhos #29
11/11/2014
Papo Lendário #113 — Retirado das Águas
02/12/2014

Papo Lendario 112

Neste episódio do Papo Lendário, Leonardo, Juliano Yamada e Nilda conversam sobre a gênesis do universo de J.R.R. Tolkien

Veja como tudo foi criado a partir da musica.

Conheça quem são os Ainur, Valar e Maiar.

Saiba se os Valar são Deuses ou anjo.

Entenda o motivo do Pablo não participar desse episódio (pós-créditos).

Musica Final: Saruman — Musical de O Senhor dos Anéis
Letra:
Ea, Arda, Ainulindale
Ea, Arda, Ainulindale
Aratar, Majar, Rana, Nenar
Aratar, Majar, Rana, Nenar
Iluvatar, Ainur, Valar
Iluvatar, Ainur, Valar
Orome, Araw Orome, Araw
Nenar, Rana Nenar, Rana
Ea, Arda, Ainulindale
Ea, Arda, Ainulindale

————————————————————————————————————————————————————————–
Padrim do Mitografias

  • Lucas Rafael Ferraz

    E ae pessoal!

    Episódio fenomenal! Como não podia deixar de ser, falou em Tolkien eu não consigo fazer comentários pequenos. =X

    Quantos aos Ainur, Valar e Maiar são apenas divisões de seres que eram essencialmente a mesma coisa. Tanto que mesmo entre os Valar há mais uma divisão, o grupo chamado de os Aratar, que são os oito Valar se maior poder. Melkor não deixou de ser um Vala pois isso era sua natureza, mas não é mais contado entre os Aratar, que antes eram nove.

    É dito que os Ainur nasceram cada um de uma parte da mente de Eru e evoluíram devagar na compreensão de seus irmãos. Me ocorreu que Melkor pode ter nascido da parte criadora, além de ter um pouco de todas as outras. Imagina que merda você nascer da parte da mente que tem essa ânsia por criar e dar vida e não poder fazer nada além de alterar ou corromper?

    Sobre elfos e homens, os filhos de Iluvatar, eu interpreto que Arda foi sim feita para eles. Tanto que as primeiras eras de guerra entre os Ainur e Melkor, quando esse desfaz o que eles fazem o tempo todo, é dito que os Ainur insistem em arrumar tudo para preparar o mundo para a chegada dos primogênitos. Eles não tão ali arrumando o mundo pra ficar de boa. É para criar um ambiente propício às criaturas que viriam.
    Outro ponto, porque Eru faria tudo isso para criar um mundo e os Ainur se mudarem pra lá? Não faria diferença alguma a não ser que estivessem enchendo o saco dele nas mansões hahaha. Não, Arda foi erigida para os filhos e, ouso dizer, para concretizar a música em sua plenitude, mostrando verdadeiras as palavras de Eru quando disse que o mal de Melkor serviria apenas para trazer mais beleza à criação.

    Sobre Ulmo, apesar de ser discreto, é dito que foi um Vala que mais ajudou a completar os desígnios de Iluvatar, mesmo quando tomando atitudes por conta própria, sem consultar os demais Valar. Isso fica claro no que tange a Tuor. Sem o dedinho de Ulmo não haveria Eärendil, afetando toda história que deu início à Guerra da Ira.

    Como a Nilda disse, Melkor espalhou e muito seu poder. Naquele momento específico muito já havia sido dispersado, e muito mais ainda seria. Estava impregnado na própria matéria de Arda, que chegou a ser descrita como sendo o Anel de Morgoth. Tanto que após determinado momento ele nem podia mais deixar a forma física horrendo que assumiu, ficando assim até o fim,

    Sobre a dicotomia entre bem e mau no panteão, acontece mesmo na versão final publicada do Silmarillion. No caso de Ulmo o lado destrutivo era representado pelo Ossë, como foi dito, por exemplo. Interessante notar que nas versões anteriores do Silmarillion os Valar eram mais… humanos, por assim dizer. Exibiam sentimentos mais humanos e tinham atitudes que nem sempre eram tão corretas, tanto que haviam dois Valar, um casal de guerreiros bem selvagens mesmo, amigos de Tulkas. Apesar de voltar atrás depois, inicialmente se aliaram a Melkor. Tulkas mesmo é bem brutal nessa versão, inclusive matou pessoas em Valinor de um modo meio chocante. Essa faceta se perdeu nas versões revisadas do Tolkien, que imbuíram os Valar com uma maior aura de bondade e nobreza.

    P.S.: os Balrogs foram salvar Melkor de Ungoliant voando? Literalmente? Com asinhas? (Ok, desconsiderem essa. É sério, não aguento mais essa história. :P)

    P.P.S: Continuem essa série de Tolkien hein! Tem muita coisa e o mais legal é que as histórias da primeira era tem muito paralelo mitológico, abrindo possibilidades pra muitas comparações e análises.

    P.P.P.S.: deixo ao apoio ao Pablo na DR do final do episódio. Eu, com meus poucos podcasts gravados, já passei por isso quando a gravação do Cabuloso se alongou mais que o previsto. Hahahah

    Valeu pessoal!

    • Nilda

      Olá Lucas

      Muito bom seu comentário. Vou tentar responder por partes:
      – Valar, Maiar e Aratar: creio que concordamos sobre serem divisões ou faces de um mesmo poder.
      Não mencionamos a divisão entre Valar e Aratar para não confundir que não conhece a obra. Mas creio que ficou claro que Melkor se separou de seus irmãos.

      – Melkor realmente podia ter uma ânsia criativa muito grande, mas isso não dava a ele o direito de querer as coisas fossem apenas e somente do seu jeito. Alguém realmente criativo consegue fazer um excelente trabalho com ou sem limites. Mas o que é demonstrado na obra é a sua soberba. E esta soberba é que foi a sua ruína.

      – Também concordo que Arda foi criada para os filhos de Ilúvatar, e aos Ainur cabia o papel de preparadores e instrutores dos filhos. Mas o ponto que o Yamada levantou é interessante, e também pode ser contido na interpretação do mito.

      – E sim, Ulmo é O Cara! E a história de Tuor merece um destaque especial.

      Acho que por enquanto é só. E me desculpe pela demora em responder.

      Resposta ao P.P.P.S: dou razão à sua esposa. Gravar mais de 5 horas consecutivas de Cabulosocast é pedir uma DR!
      XP

  • Um belo episódio.

    Só uma pequena opinião fecal minha sobre a dualidade na mitologia criada pelo Tolkien. Eu não acho que a bondade e a maldade dos Valar e Maiar sejam tão preto e branco assim. O próprio Ulmo é tão dúbio quanto Poseidon. Ele ajudou muito os povos livres, mas… Não é só por isso que as civilizações que vivem próximas, ou dependem, do mar respeitam tanto ele. Pois, assim como acontece com Poseidon, todas essas civilizações veneram tanto quanto temem Ulmo. Justamente por não saberem quando ele está ou não de bom humor.

    E excelente final, um dos melhores até então! XD

    Tenho que falar aqui em defesa da Ana. O Sr. Pablo já se trancou no escritório NA MINHA CASA para gravar podcast… ENQUANTO FAZÍAMOS CHURRASCO! 😛

    • Nilda Alcarinquë

      Olá Musashinm

      Então, quem é descrito como amado e temido, ao mesmo tempo, é Össe, o maia esposo de Uinen e que é responsável pelas águas profundas e tempestades.

      Agora, os humanos nem sempre entendiam os sinais de Ulmo, e talvez por isso o temessem por isso. Mas os elfos o amavam, isso é certo.

      E bem, acho que a idéia de um grupo de “podcasters anônimos” não parece tão absurda depois deste acontecido no churrasco
      😛

      abraço

      • O problema é que, na maioria das vezes, os “sinais de Ulmo” não eram apenas uma marola mais forte. 😛 Por isso que, na minha opinião fecal, a bondade e a maldade dos Valar e Maiar não era tão preto no branco assim.

        Eu não consigo classificar nenhum deles como Lawful Good, por exemplo.

        PS: Pra falar bem a verdade… Nem o Melkor eu classificaria como Chaotic Evil. Acho que ele é tipo “O Pestinha” (um Chaotic Neutral), ele é apenas incompreendido. 😛

        • Nilda Alcarinquë

          E é este um dos motivos desta obra ser única: há várias interpretações e poucas delas podem ser consideradas totalmente erradas ou certas.

          Nunca que eu chamaria o Melkor de Pestinha ou de incompreendido. Mas a sua opinião é a sua opinião, o que posso fazer?
          😀

          abraço

  • Olá à todos!
    Eu não terminei de ouvir pois escutar enquanto anda na rua é complicado, atrapalha a concentração mas um comentário quase nada relevante é que achei interessante todos os nomes das divindades/criaturas, me lembrou o Candomblé: Eru, Orun, Elu… enfim!

    Aliás, já rolou um Mitografias sobre religiões afro? Tô lendo a Trilogia do Deuses de Dois mundos e tô achando incrível!

    Abraços!

  • Olá, pessoal.

    Eu gostaria de acrescentar um detalhe a respeito de Melkor. Ele e Manwë, o comandante dos Valar, eram irmãos na Criação.

  • Gabriele Tschá

    Adorei o episódio, muito esclarecedor. Adoro Tolkien, mas só conheço O Hobbit e O Senhor dos Anéis. Ainda não tive oportunidade de ler o Silmarillion, mas agora fiquei morrendo de vontade. Parabéns pelo trabalho, e espero que façam mais episódios sobre o mundo Tolkien como prometeram, vou ficar esperando. 🙂 E a Nilda tem que participar mais, adoro ela, fala de forma bastante clara. Beijos pra todos. :*

  • Ricardo de A. Santos

    Muito bom podcast. Só uma coisa o mal ancestral, nascido antes dos outros “deuses”(os Valar),Ungoliant. Seria uma homenagem ao Lovecraft e seus Deuses Antigos e assustadores, por parte do Tolkien, ou só uma conhecidencia.

    • Nilda Alcarinquë

      Olá Ricardo

      Não encontrei nada sobre Tolkien ter lido Lovecraft, apesar de não ser impossível.
      Mas ele sempre coloca aranhas ou seres que lembrem aranhas como malignas em suas obras.
      Numa das biografias de Tolkien fala-se que ele foi salvo de ser picado por uma aranha quando era muito criança (2 ou 3 anos). Mas qualquer especulação sobre o assunto é apenas isso: especulação

      Abraço, e desculpe-me pela demora em responder