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Uma Outra História das Religiões

Este é um livro pequeno e que faz um belo apanhado histórico das principais religiões originárias da Ásia e Europa e ainda existentes. Judaísmo, Cristianismo, Bramanismo, Budismo, Xintoísmo, entre outras, são as religiões que Odon Vallet se propõe a nos apresentar.

Apesar de haver referências a religiões antigas, principalmente na descrição da origem das religiões, elas não são diretamente tratadas, bem como não trata das religiões africanas ou dos povos ameríndios. Isso não empobrece o livro, pois este recorte permite que o autor apresente melhor estas religiões.

Sendo um livro que prioriza a história, Vallet escreveu de forma a interligar uma religião a outra. O leitor não fica com a impressão de que são coisas totalmente separadas: os muçulmanos aqui, os hindus lá, os judeus acolá. Todas as religiões são todos interligados e essa forma de narrar ajuda a dar uma noção de coesão. Coesão esta que é necessária para se entender melhor o como e o porque das religiões tomaram este ou aquele caminho.

O Oriente Médio

O livro começa nos apresentando as religiões surgidas no chamado Crescente Fértil: judaísmo, cristianismo e islamismo.

Apresentando o judaísmo como uma religião baseada na Lei e que tem um deus único, o que a diferenciou das diversas religiões da época, o autor dá um panorama geral destes povos, o que o leva falar do cristianismo, uma religião surgida do seio do judaísmo, que mas que adquire características própria.
Na história do cristianismo nos são apresentadas as influências sofridas dentro da Judéia e as influências recebidas de outros povos, as seitas criadas com o tempo e a questão do dogma e do dogmatismo. Ao fim do capítulo menciona o avanço do islamismo como uma ameaça à sua existência.

E seguindo o estilo proposto, o o próximo capítulo é sobre a religião de Maomé, onde além e sua história e seus principais preceitos, somos apresentados às várias facetas desta religião que não é tão una como pode parecer ao primeiro olhar, bem como sua expansão para o ocidente e oriente.

Rumo ao Oriente

Aqui o livro nos leva até a Índia, esta terra onde há toda uma gama de religiões e uma religiosidade que nos parece estranha.

Ao tratar destas o autor faz muitas comparações entre elas e o cristianismo, entre seus conceitos e os conceitos cristãos e, às vezes, com os conceitos gregos. Isso me incomodou um pouco ao começar a ler estes capítulos, mas logo compreendi qual o objetivo destas comparações: são religiões que soam tão estranhas para os ocidentais que este artifício ajuda a mostrar que não são tão estranhas como parecem.

Muitas destas religiões se confundem, pois tem uma mesma base mitológica e cultural. Em alguns casos, ao se dar preferência a um ou outro deus, a uma ou outra linha de interpretação da tradição religiosa dão origem a religiões completamente diferentes, mas que tem a mesma base comum. O que não é um processo tão diferente do que aconteceu com as religiões abraâmicas.

Isso não significa que estas religiões sejam tão simples de entender. Elas são intricadas, há uma grande amálgama cultural, uma grande junção de várias religiões que se sobrepõe e interagem num mesmo espaço.

Sem falar no fato da relação destas religiões com o corpo físico ser muito diferente do que acontece com as religiões abraâmicas: exercícios físicos, meditação, sexo e artes marciais se integram às religiões, recebendo uma abordagem que inclui o conhecimento do próprio corpo como forma não apenas de dominá-lo, mas também como instrumento para elevação espiritual.

Extremo Oriente

O extremo oriente tem todo um tratamento especial. Porque, ao contrário do que aconteceu com a Índia, não houve uma expansão das religiões destes países para o ocidente. Pelo menos não até a segunda metade do século XX.

Apesar de ter sido influenciada até certo ponto por conceitos e religiões da Índia, esta influência não foi de mão dupla. Por ser muito ligada ao estado, a religiosidade chinesa não se expandiu rumo ao oeste,  e sim para o leste asiático.

Tanto as religiões como as correntes filosóficas mais influentes, taoismo e confucionismo, são tratadas pelo autor, pois há uma influênciaa muito forte destes conceitos filosóficos com as práticas religiosas.

A aceitação maior de uma ou outra destas correntes explica muito dos rumos históricos tomados por estes países.

O Xintoísmo, como uma das últimas grandes religiões animistas, refletiu bem estes conflitos. Durante vários períodos da história do Japão, e até hoje, teve maior ou menor influência, principalmente após a introdução do budismo no país.

Ao fim do livro há todo um tratamento especial às artes marciais, um elemento presente em todo oriente e que acabou se amalgamando não apenas à vida cotidiana, mas também às religiões ali presentes.

Uma introdução

Porque indicar um livro que trata se intitula Uma Outra História das Religiões, se ele apresenta não apresenta realmente todas as religiões?

Bem, como expliquei logo na introdução, o livro não se propõe a falar de todas as religiões.

Mas o considerei um bom livro introdutório à história das religiões apresentadas. Conceitos fundamentais são tratados de forma consistente. E muitos destes conceitos são desconhecidos de quem está começando estudar e compreender esta face tão importante da cultura da humanidade.

E, como não poderia deixar de ser, o livro também conta com muitas ilustrações e anotações laterais com explicações que ajudam a entender algum conceitos apresentados no livro. Algo que considero importante num livro.

Vallet, Odon: Uma outra história das religiões. São Paulo. Globo, 2002

  • Daniel Lopes

    Este livro foi adquirido por mim em 2007, nem cheguei a começar a ler, uma amigo seminarista havia pedido emprestado para dar uma olhada, até hoje este livro não voltou. Não corri atrás para lê-lo, mas vou fazer o mais urgente possível.

    Deixo aqui duas dicas semelhantes:

    O Livro das Religiões de Jostein Gaarder, VICTOR HELLERN, HENRY NOTAKER.
    A Viagem de Theo, de Catherine Clément. Este é no modelo de O Mundo de Sophia.

    Bem, deixa eu procurar este livro pra degustar.

    • Nilda Alcarinquë

      Olá!

      Obrigada pelo comentário e pelas indicações.

      Acredita que já é a segunda indicação que recebo de O Livro das Religiões em menos de 1 mês?
      Definitivamente preciso colocá-lo na lista de leituras

      E se encontrar o livro que emprestou, leia.

      abraço