Papo Lendário #94 — O Que Aconteceria Se…

Papo Lendário #93 — A Mitologia 616
03/12/2013
Leitura de Pergaminhos #24
14/01/2014

Nesse episódio o Papo Lendário. Leonardo Henrique, Juliano Yamada, e Pablo de Assis conversam sobre como seriam nossas religiões em mundos alternativos.

Como seria um mundo com duas estrelas?

Se não morressemos, o que mudaria em nossas crenças?

Sem estações, como contariamos o tempo?

E veja inumeras outras ideias alternativas e suas possiveis consequencias em nossas culturas.

Musica Final: O Segundo Sol — Cássia Eller

LINK:

Anéis na Terra

————————————————————————————————————————————————————————–
Padrim do Mitografias

  • Rafael Afonso

    (38 anos, Analista Programador, São Paulo)

    Olá:

    Ouvindo sua conversa sobre muúltiplas estrela, me lembrei imediatamente do conto “O Cair da Noite” (“Nightfall”) de Isaac Asimov. Publicado nos anos 40 e depois expandido como romance nos anos 90 (co-escrito com Robert Siverberg) ele se passa num planeta circundado por seis sóis. Baseada na recém-descoberta lei da gravitação, um grupo de astronomos (que aqui meramente estudam os movimentos destes sóis) descobrem que num período a cada 2.000 anos um corpo passa na frente de um do sóis justamente quando este é o único presente no firmamento (as outras estariam aparecendo no outro lado do planeta). Este evento coincide justamente com as evidências arqueológicas de incêndios globais que varrem o planeta e que colapsam a civilização periodicamente, restando apenas os relatos sobre a escuridão e das misteriosas “estrelas”.
    O raciocínio seria que como a humanidade nunca viveu debaixo da noite, ela sofreria de claustrofobia assim que aparecessem as estrelas. Numa reação histérica as pessoas passariam a queimar tudo o que estivesse ao alcance para gerar luz e afastar as trevas. Nisso, a sociedade cairia e a civilização seria “resetada”.
    A história conta como esses cientistas – depois de tentarem advertir o mundo sem sucesso sobre o eclipse imimente – aguardam pelo desastre enquanto enfrentam a reação de grupos religiosos.

    • Nilda

      Olás!

      A primeira lembrança que este episódio me trouxe também foi a deste conto do Asimov.
      Não sabia que havia sido expandido como romance. Obrigada pela informação. Vou procurar uma edição em português para ler assim que possível

      abraços

  • Ainda não terminei de ouvir tudo, mas tive que passar aqui para parabenizar pela edição… Apesar de um certo problema na voz do Pablo (em determinados momentos ela fica aguda, em outras graves, em outras mais altas e em outras mais baixas). Mas achei sensacional a música de fundo (reconheci, mas não lembrei o nome) aumentar, tanto em volume quanto em intensidade, enquanto o Pablo falava sobre a puberdade… E diminuir na hora em que ele começa a falar sobre a menopausa/andropausa.

    E, sobre os elfos… Na minha opinião, Melkor e, posteriormente, Sauron foram deixados vivos por Erú. Justamente para corrigir esse problema que Erú/Iluvatar não tinha cogitado antes dos elfos surgirem. Se analisarem a obra do Tolkien… Sempre tem um período de paz antes do Melkor ou Sauron escrotizar geral. Ou seja, os elfos estavam se multiplicando (mais os humanos, que existem históricos que se reproduzem como coelhos, na falta de televisão ou outro meio de entretenimento). Então, na minha opinião, Erú mandava (ou simplesmente deixava) que Melkor ou Sauron dessem uma aliviada na superpopulação. 😛

  • Ricardo

    Muito bom o episódio ! Sobre Dark Sun, vou falar de modo resumido, eles não tem Divindades como nos outros mundos de D&D. O papel de divindades cabe aos Reis-Feiticeiros, magos poderosos que governam as cidades através seus poderes que se auto intitularam assim (como alguns reis do passado na Terra). E tem cultos proibidos que cultuam os elementos (água,terra,fogo e ar) como uma manifestação divina e creem numa profecia que o mundo se tornará florido e com água abundante com a queda dos Reis-Feiticeiros.
    Sobre o mundo em geral, as cidades são formadas em volta de oásis e a tecnologia da fundição nunca se desenvolveu, não tendo assim objetos de metal, como moedas e espadas. O comercio é feito através de troca e as armas eram feitas de ossos e madeira. Também tem uma raça de homens-insetos que simplesmente não dormem.

  • Dih Macena, ex Dih Lyne

    Olá, galerë… Que pod primoroso! Um dos melhores, sem dúvidas.
    Sobre os assuntos que eu queria tentar acrescentar algo:

    Os elfos que foram para Valinor, as Terras Imortais, viviam e não morriam jamais. Talvez não jamais, há um escrito da série HoME, não publicada no Brasil, que relata como a vida deles estava ligada à existência do planeta. Ou seja, eles viveriam enquanto o mundo existisse. Após morrerem – quer por tristeza ou por fatalidades – seus espíritos eram enviados para uma espécie de Hades (controlada por Mandos, que, tal como Hades, herdou o nome de seus palácios) para descansarem e purgarem eventuais erros. Após este período de reflexão, os elfos eram reincarnados e voltavam a viver nas Terras Imortais – todos os que recebiam purgação reincarnavam, mas apenas um reincarnou e voltou ao convívio com humanos, i.e. Glorfindel.

    Sobre os humanos em Tolkien. Ele nos conta uma história diferente da bíblia, mas que talvez sirva para nos dar uma ideia sobre a vida sem pecado no Éden. Os humanos de Tolkien sempre foram mortais; de fato, a morte era chamada Dádiva do Um – i.e. Deus. Explico: para Tolkien, os espíritos dos homens eram livres para sub-criarem em outras existências – não se sabe onde exatamente – e ao cansarem da vida na Terra-Média, entregavam sua vida de forma serena antes da senilidade se abater sobre eles. Eles simplesmente dormiam e seus espíritos eram levados para fora dos círculos do mundo. Somente quando os humanos deixaram de ouvir a boa voz de Eru (Deus) é que a morte passou a ser vista como maldição ou punição e, algo que deveria ser libertador, veio cada vez com vestimentas piores. Paulo, para os Filipenses, escreve [A]ntes, com toda a confiança, Cristo será, tanto agora como sempre, engrandecido no meu corpo, seja pela vida, seja pela morte. Porque para mim o viver é Cristo, e o morrer é ganho.” Para os primeiros cristãos, a morte significava o encontro com Deus e a salvação, algo que tem parâmetros com o batismo – o sepultamento da antiga vida.

    Desculpe o post xicante, mas tenho algo além para falar. Douglas Adams em seu Guia, nos mostrou o que pode ocorrer com um povo que nunca olhou para os céus. Uma civilização vivia em um lugar que era escondido por uma nébula que impedia a luz de qualquer estrela, exceto a sua, brilhar. Isso levou seu povo a não se preocupar com o céu, até que um dia uma nave caiu lá, fazendo seu povo entender que existia outras formas de vida além-planetárias. Após isso, seu povo decidiu destruir toda a forma de vida exoplanetária.

    Ainda de Adams, uma anedota. Existia um povo nos livros que possuía vários pares de braços. Como era um planeta quente e úmido, eles soavam muito. Resultado, eles inventaram o desodorante antes da roda. =)

    Abraços e continuem assim.

  • José Paulo

    Olá, ótimo tema, e sobre o desafio eu imagino algumas possibilidades:

    * E se tivéssemos mais de uma espécie (configurações corporais distintas – humanóides, quadrúpedes, talvez aves com avanço tecnológico e social similar) presente no mundo, do ponto de vista social, vemos isso sempre em animações, quadrinhos, livros. Mas e as crenças? como seria se uma sobrepusesse as outras, como seria, o “vencedor” demonizando os deuses dos perdedores? ou tomando suas características para criar um panteão que abrangesse mais culturas.

    *Em um planeta mais irregular (como a junção 3 ou mais bolhas de sabão no ar), teríamos gravidades diferentes em pontos diferente? como isso poderia influenciar na cultura? o povo da gravidade maior se apoiaria em força física (como seriam seus mitos) e o povo da gravidade mais leve usaria mais as estratégias, agilidade, como seria a interação e mitologia desses povos?

    *mais de um planeta ocupando a mesma atmosfera? e cada um desenvolvesse sua própria crença, mitos e tecnologia, permitindo até viagens entre si, como seriam as divindades e o desenvolvimento desses povos.

    * e um lugar onde todos os deuses da guerra se tornassem inúteis, e não há necessidades de combater, isso impede o surgimento da economia? como seria uma igreja que não precisa evangelizar e converter? (parece desconexo mas são tópicos ligados).

    * E se a terra fosse mesmo plana? O.o

  • (25 anos, Publicitário, SP)

    Conheci vocês através do finado Visão Histórica há pouco menos de 1 mês, e desde então o Mitografias é trilha para ida e volta do trabalho. Sempre me interessei por mitologias diversas, e gosto muito da maneira que vocês abordam os temas. Estão de parabéns.

    Rasgação de seda a parte, muito bom o cast sobre realidades alternativas. Gosto muito de pensar sobre como seria a sociedade se certas coisas que damos como certas fossem diferentes.

    Na onda do que vocês falaram sobre uma sociedade com dois sóis, recomendo fortemente o livro O Cair da Noite (Nightfall, em inglês) de Isaac Asimov e Robert Silverberg, baseado em um conto de Asimov de 1941. O planeta em que se passa a história, Kalgash, é orbitado por seis sóis, e por isso nunca vê a escuridão. Por esse motivo, também, não é possível ver as estrelas e tudo que está fora desse sistema solar, fazendo com que os habitantes desse planeta acreditem que são a única coisa existente no universo. Porém, existem teorias de que haverá um eclipse total dos sóis e o planeta vai ficar em completa escuridão. A história se desenrola nessa trama, e o que pode acontecer com pessoas que nunca ficaram sem a presença de luz (spoiler: Loucura total e colapso da sociedade). Vale a pena a leitura, principalmente porque os autores abordam bastante o conflito entre religião e ciência, e a reconstrução de uma sociedade que descobre que existe muito mais do que ela própria no universo.

  • Jailson Roberto, 43, economista, Curitba

    Parabéns pelo podcast e para toda equipe Mitografias, brilhante.

    Então, e se não houvesse a Mentira? Como seria o mundo? Campanhas políticas…

    Recomendo um filme com Rick Gervais, sobre essa possibilidade.

    Mas não se trata apenas de mentiras. Claro que um filme sobre a invenção da mentira teria a invenção da religião, de um ‘homem no céu’.
    Ricky Gervais, é Mark Bellisson, é um escritor frustrado que conseguiu mentir em um mundo onde não há mentiras. Até a palavra ‘mentira’ ele a inventou. E ninguém é capaz de entender isso, pois todos só dizem a verdade.
    Como se existisse um bloqueio mental para não mentir.
    O filme tem boas sacadas.
    Ao ver sua mãe a beira da morte triste por saber que o outro lado ‘é uma eternidade de nada’, Mark mente, fazendo-a acreditar em uma imagem do paraíso, com muito amor, felicidade e uma mansão para cada uma das pessoas.
    Sua mãe morre feliz. O médico e as enfermeiras ouvem tudo e espalham para outras pessoas desencadeando variadas reações.

    Filme simples, mas provoca reflexões.

  • Deângelo

    Parabéns pelo cast, feliz natal e feliz ano novo!

  • J.J.P Menezes

    Sol serenat omnia

  • Rafael Afonso

    Queria levantar uma alternativa: E se vivessemos em um mundo em que houvesse apenas um gênero e não dois (macho e fêmea)? Em que isso poderia afetar conceitos como dualidade e complementaridade?
    Por outro lado, como seria uma mundo em que houvesse mais de dois gêneros? Lembrando de novo Asimov, queria destacar um livro chamado “Os Próprios Deuses” (The Gods Themselves). Uma parte dele passa num universo paralelo, onde existe uma espécie com três gêneros. Se eu me lembro direito, para se acasalar, um trio teria que fazer uma espécie de fusão. Na verdade, esse trio ainda estava no estágio infantil. Para passar para o estágio adulto, o trio teria que fazer uma fusão permamente.

  • José Silva

    Quanto ao desafio do Pablo, aqui vai o meu: Como seria a mitologia de uma raça inteligente vivendo nos Oceanos de um mundo como Europa? Uma raça aquática que nem sequer imagina que existe algo além da superfície e o mundo conhecido para eles é apenas um Oceano sem fim? E vou além, e o que aconteceria quando chegasse em nível evolutivo para trespassar a abóboda eterna branca que cobria o mundo deles e dessem de cara com um “Sol” muito mais próximo que o nosso e com tantos outros “planetas” a sua volta?

  • Alexandre Buhler

    Opa opa

    Muito bom o podcast, essa idéia rende outro bom podcast continuação usando idéias bem legais daqui dos comentários.

    Eu jogava no meu Gamecube um jogo que era do Dreamcast também chamado Skies of Arcadia

    Aonde os protagonistas eram piratas “do bem” que tinham que combater a armada, uma tirania rica do mundo, meio como uma alusão a Inglaterra nos tempos aurios de pirataria.

    O mais legal era o cenario aonde os barcos voavam, pois não existia “mares” e sim “céus” e o mundo tinha 7 luas, as quais cada uma, aparecia em lua cheia sobre determinada parte do mundo, e cada uma tendo um poder diferente.

    http://www.youtube.com/watch?v=-Fl3ZwERMgE

    fiquei imaginando qual seria a mitologia deste mundo

  • Sensacional a vista dos anéis caso existissem na terra. Eu gostaria que fosse algo real.

  • Weder

    Olá seres mitográficos,

    O tema do podcast foi muito interessante, nos coloca a pensar sobre a nossa realidade e as possíveis realidades de um mundo nunca imaginado, repleto de possibilidades existenciais. Levando em conta o mundo fenomênico para a concepção de uma realidade dogmático mítico/religiosa, penso que haveria uma diferenciação no que diz respeito a realidade física existencial, de início perceberíamos uma forte tendência de se associar a divindade ao mundo fenomênico, mas segundo a visão de divindade que tenho, acredito que haveria em um certo momento uma convergência universal da compreensão da divindade não importa qual mundo estivéssemos falando, ou seja, no final das contas quando todos os seres atingissem um grau comum de evolução acabariam por manifestar crenças semelhantes.
    Agora também coloco uma interrogativa, discutimos aqui sobre as concepções míticas de visões de mundos diferentes, qual seria a concepção de divindade de seres desprovidos da visão? Quais seriam os arquétipos construídos a partir de seres dotados de audição, olfato e tato exacerbados.

    Abraços,

    Weder Hovadich .´.

  • Bruno

    Primeiramente gostaria de dizer gostei muito de podcat, e com relação a divindades semiticas que tenham relação com agua existe uam em questão Dagon, essa mesma deidade aparece na biblia.