Imortais (Immortals)

Papo Lendário #59 — Monstros que só um Amigo de um Amigo Meu Viu!
10/01/2012
Trailer Papo Lendário #60
20/01/2012

Imortais (Immortals, EUA, 2011), é um filme que tenta ir na esteira de 300 (300, EUA, 2007) e Tróia (Troy, EUA, 2004) ao procurar explorar temas gregos.

Mas acredito que esqueceram de avisar aos produtores que os direitos autorais sobre temas mitológicos já expiraram, e que roteirizar uma história de Homero, Hesíodo ou qualquer outro autor clássico grego não gera processo.

Só isso para explicar tanta alteração numa história já conhecida e que tem cenas de ação, sexo e violência suficientes para atrair o público.

Porque digo isso?
Não consegui reconhecer no filme nenhum personagem da mitologia grega que conheço. Vou listar alguns pontos que me chamaram a atenção e fazer uma breve comparação.

Theseus, que na mitologia grega é o filho de uma princesa com o rei de Atenas (ou Poseidon, segundo algumas versões), neste filme é o filho de uma mãe solteira hostilizada por toda uma vila, que sabe lutar e é chamado de camponês. E é ateu. Algo inimaginável para uma história que se passa no que seria a antiguidade mitológica. Na antiguidade clássica, por mais que uma pessoa não fosse religiosa fervorosa, não duvidaria da existência de uma ou mais divindades.


Mas voltando ao filme, Theseus conhece uma profetisa, Fedra, que o ajuda a fugir dos inimigos, juntamente com um ladrão. Um sacerdote e outro escravo/guerreiro também fogem, aparentemente para cumprir alguma cota de figurantes mínimos.

Não há sinal de que, em algum momento, este Theseus irá se tornar o grande herói de Atenas, que participa de inúmeras aventuras e realizador de grandes feitos. É apenas um guerreiro escolhido por Zeus e destinado a apenas um grande feito.

Do outro lado, temos Hipérion (que nada tem a ver com o Titã pai de Hélios) em sua tentativa de libertar os Titãs, conquistar todo o mundo grego e derrotar os deuses que tanto odeia.

Todos os seus guerreiros usam máscaras. E é aí que o mais próximo de um Minotauro aparece na história: um guerreiro que usa uma Máscara de Touro com chifres enormes e é, claro, derrotado por Theseus. Sem ajuda de nenhuma princesa e sua meada de lã.

Os Deuses relutam em intervir no que se passa com a humanidade, invocando uma Lei que ditaria a não intervenção. Só poderiam intervir diretamente é no caso dos Titãs serem libertados, sob pena de serem punidos com a morte.

Como assim?? Zeus matando outros deuses do Olimpo? De onde tiraram isso? Se tem algo do qual não se pode acusar os deuses gregos é de ignorarem os humanos. A intervenção na vida cotidiana e até em guerras é retratada em praticamente todas as histórias. Sem falar nos inúmeros filhos que tiveram com humanas.

Para completar as referências mitológicas há um artefato místico, o Arco de Épiro, que é tão poderoso que pode libertar os Titãs de sua prisão no Tártaro. Não achei nada sobre Épiro na mitologia. É uma referência ao arco de Héracles que, após a morte do herói, foi herdado por Filoctetes e seria fundamental para a vitória dos Gregos sobre Tróia. Suas flechas foram envenenadas com o sangue da Hidra o que as torna mortais. Nada parecidas com as “flechas energéticas” do filme.

O que mais posso dizer deste filme?
Achei o roteiro confuso. Só no final parece ter algum sentido. Muitos elementos são apresentados de forma aleatória e/ou equivocadas. Quem entende um pouco que seja de mitologia grega se espanta com a forma que ela aparece. Quem não entende talvez goste das cenas de luta.

Não posso dizer pra que não o assistam. Muita gente gosta das cenas de luta e é bom que cada um tenha sua opinião. Mas não vale um ingresso de cinema, principalmente se for numa sala 3D.

Caso veja em vídeo, vale a pena anotar o nome da maioria dos personagens que aparecem e fizer uma pesquisa mínima irá descobrir um mundo extremamente interessante. E totalmente diferente do apresentado.

FICHA TÉCNICA
Diretor: Tarsem Singh
Elenco: Henry Cavill, Stephen Dorff, Isabel Lucas, Freida Pinto, Luke Evans, Kellan Lutz, John Hurt, Mickey Rourke
Produção: Mark Canton, Ryan Kavanaugh, Gianni Nunnari
Roteiro: Charles Parlapanides, Vlas Parlapanides
Fotografia: Brendan Galvin
Trilha Sonora: Trevor Morris
Duração: 110 min.
Ano: 2011
País: EUA
Gênero: Aventura
Cor: Colorido
Distribuidora: Imagem Filmes
Estúdio: Universal Pictures / Relativity Media / Atmosphere Entertainment MM / Hollywood Gang Productions

Autora: Nilda Alcarinquë (@nildaalcarinque)

Trailers

http://www.youtube.com/watch?v=7VdONYkKFmQ