A Terra de Avalon

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Por Lucas Rafael

A terra mística de Avalon foi imortalizada no ciclo Arturiano, o mais conhecido herói celta, e em torno dela realidade e ficção se confundem envolvendo em brumas a história do lugar.

Avalon se situaria a sudoeste da Inglaterra, no local onde há o monte chamado Tor e a Abadia de Glastonbury. O Monte do Tor é envolvido por brumas, e o próprio nome Tor significa “passagem”.

Nas antigas lendas celtas, existia a Ilha dos bem-aventurados, algo como os campos Elísios dos Gregos ou o Valhalla dos germânicos, local de abundância e alegria. Com o passar do tempo a visão desta terra se fundiu com a lenda de Avalon, visto que era uma ilha cercada por brumas, de difícil acesso, e por ser imaginada como um paraíso, a terra das maçãs, que representam para os celtas o conhecimento e a magia.

Avalon também está associada à Terra da Juventude, um reino mítico no qual os habitantes são imortais.

Brumas de Avalon

Na versão mais conhecida e consagrada no clássico “As Brumas de Avalon” de Marion Zimmer Bradley, Avalon era uma ilha cercada por brumas que somente uma sacerdotisa poderia afastar para descobrir o caminho até a ilha, lá era o refúgio da antiga religião que foi reduzida pelo catolicismo.

A ilha ficava no mesmo local da Abadia de Glastonbury, mas em outro plano, de modo que quem tentasse chegar a Avalon acabaria no templo cristão.

Glastonburry

Uma versão mais realista nos é apresentada por Bernard Cornwell na trilogia “As Crônicas de Artur”, nela Avalon é um feudo, um reino sob o domínio da Dumnonia, reino do qual Artur era o guardião.

A Avalon de Cornwell era liderada por um Lorde, e este era Merlin, que também era o maior de todos os druidas. Não há nenhuma ilha nesta versão, apenas o Tor, no topo do qual estão os aposentos onde Merlin, Morgana e Nimue fazem seus rituais, o Tor é povoado por crianças defeituosas e loucos, pois Merlin acreditava que eles tinham as bênçãos dos deuses.

Mago Merlin

Essa versão é mais realista por não envolve nenhum tipo de magia, apenas um velho druida e suas sacerdotisas numa terra governada por este druida, obviamente um lugar como este despertou a atenção e muitas lendas cresceram em volta dele.

Nas lendas de Etain e de Oisin há a participação de membros da família real da Terra da Juventude (Avalon), eles são imortais e belos, mas imaginem que na realidade fossem reis e príncipes como quaisquer outros que o imaginário popular acerca do lugar onde viviam haviam elevado a uma categoria superior.

Isso nos remete à Avalon apresentada por Cornwell, um reino como qualquer outro mas envolto em lendas e que cada vez foi ficando mais místico culminando com a versão apresentada nas Brumas de Avalon.

Não existe ilha na versão de Cornwell , e talvez isso tenha sido de propósito, para aproximar a lenda da realidade, pois pesquisas arqueológicas afirmam que o local de Glastonbury foi um pântano há milhares de anos, ai pode estar a origem das lendas de Avalon como uma ilha, e quando os pântanos secaram no mesmo local foi construída a abadia de Glastonbury, mas a ilha que um dia ali esteve não foi esquecida, de modo que Marion a colocou em outro plano mas no mesmo lugar da abadia.

Com isso chegamos à conclusão de que Avalon foi um dia uma ilha depois se tornou o nome para um reino e no local da ilha foi construída a abadia de Glastonbury, e de que o imaginário popular se encarregou das sacerdotisas, espadas mágicas e druidas que povoam este maravilhoso local.

  • Diego Miyabi

    Eu estava querendo falar uma coisa que percebo a algum tempo. Sempre que sai uma matéria como essa, sobre mitologias, a intenção de explicar o do porque isso ou aquilo de forma realista ou cientifica, como por exemplo: era assim pq a sociedade era tal.. Ok, n vejo problema, até pq são mitologias. Mas quando se trata do mito Cristão, eu vejo um pano quente por assim dizer. Como o Pablo sempre comentou nos Papos Lendários “Minha religião é verdadeira e a sua é ‘folclore'” (E de fato os cristãos são assim). Então, seria mais bacana tratar todas de uma mesma forma. Bom é só minha opinião ^^

  • Ariane Aguiar

    Muito interessante! Gosto muito da Avalon de Marion Zimmer Bradley e nunca li a de Cornwell. Mas nunca me atentei a essa leitura que foi feita no post, de que ambas Avalon e Glastonbury formam um binário representando passado e presente, místico e palpável, falso e verdadeiro (no caso de um ponto de vista cristão).

  • rpgplace

    Vi em algum lugar q Avalon tb diminuia ou aumentava de inversamente proporcional ao aumento e diminuição do reino de Camelot (ou Inglaterra)