Sobre o Céu — Entre o Mito e a Ciência: Netuno

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– Netuno –

— O Mito —

Quando os deuses derrotaram os Titãs, decidiram então que o governo do universo deveria ser dividido entre os vencedores. Coube a Netuno (correspondente romano do deus grego Poseidon), ser o deus reinante dos mares, oceanos, rios e as manifestações das águas.

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A característica visual mais marcante desse deus é o tridente, poderosa arma que provocava terríveis maremotos e terremotos ao ser fincado no leito do mar.

Uma lenda conta que Netuno deu os cavalos aos homens, mas apesar do belo e útil presente, os homens o temiam por Netuno ser perigoso e ameaçador, capaz de causar catástrofes que poderiam dizimar aldeias ou até cidades inteiras.

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Netuno teve várias esposas, mas Salácia (Anfitrite é a sua equivalente grega), uma das nereidas filhas de Nereu, foi a sua preferida e do amor dos dois nasceram os tritões, a versão masculina das sereias, metade homem e metade golfinho.

Em Roma havia uma grande festa dedicada ao deus dos mares, era a Netunália festejada em pleno verão no vale do Circus Maximus. A comemoração durava dois dias e o povo aproveitava a oportunidade para comer, beber e dançar.

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— A Ciência —

Totalmente invisível a olho nu, o último planeta gigante do sistema solar não era conhecido até que o seu descobridor o astrônomo alemão Johann Gottfried Galle (1812-1910) o localizou em 23 de setembro de 1846. A história da descoberta começou porque os astrônomos notaram um comportamento estranho na órbita de Urano. A inexplicável perturbação depois veio a confirmar que havia um oitavo corpo de imensas proporções girando em torno do Sol. Este gigante gasoso depois foi batizado de Netuno.

Seu diâmetro é de quase 50.000 km, em termos de comparação é três vezes e meia o da Terra. Netuno percorre o céu numa velocidade de 5 km/s e leva quase 165 anos para completar seu período orbital. Portanto, a primeira volta completa em torno do Sol desde a sua descoberta só se deu em 2012.

É o mais denso dos planetas gasosos, o que indica ele ter um núcleo sólido ocupando aproximadamente um terço de seu volume.

Como a órbita do planeta é praticamente circular, a distância deste até a nossa estrela não varia muito dos 4,5 bilhões de km, e um dia passa em pouco mais de 16 horas e 6 minutos.

Seguindo o exemplo dos outros três gigantes gasosos, Netuno também tem um anel composto de rochas e poeira que podem ser os restos pulverizados de antigas luas que caíram na armadilha mortífera de sua gravidade.

A atmosfera de Netuno é muito parecida com a de seus irmãos gasosos, com 80% de hidrogênio, 19% de hélio e pequenos percentuais de metano, amoníaco, água, etano e demais elementos de menor importância. Foram registradas temperaturas que vão de -221 graus Celsius a -201 graus Celsius fazendo do planeta um eterno mundo congelado.

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À semelhança de Júpiter, existe na superfície do planeta azulado um anticiclone que rodopia em pouco mais de 18 horas, exibindo um espetáculo de extrema beleza e servindo de interessante objeto de estudo aos cientistas.

Os dois maiores satélites de Netuno, de um total de quatorze, são Tritão e Nereida, como foi confirmado pela Voyager 2. Tritão é o maior de todos com um diâmetro de 2.800 km e uma superfície gelada coberta de montanhas, vales, geleiras e vulcões ativos que expelem um tipo de nitrogênio congelado que compõe a sua atmosfera rarefeita. Quanto a Nereida, suspeita-se que seja um asteróide que foi capturado por se aproximar demais.

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O profundo azul da superfície do planeta que viaja nos confins do sistema solar parece ser a cor predileta de Netuno, o deus dos oceanos azuis.

AUTOR: Ricardo Costac