As Banshee

Capa do Papo Lendário 141
Papo Lendário #141 – As Tradições Mágikas pt II
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As Banshee caíram no imaginário popular como uma espécie de alma penada que vaga sem rumo entre este mundo e o Além, surgindo em meio de aparições fantasmagóricas para azarados mortais em lugares poucos belos tais como cemitérios, castelos com fama de serem mal assombrados e principalmente entre soldados mortos em um campo de batalha.

As banshee são vistas alternativamente assumindo três formas, a saber aparecem como meninas da mais tenra idade, mulheres jovens ou anciãs,mas invariavelmente algo em seu aspecto físico chama atenção seja pela inerente “doçura” da meninez apresentada, a sensualidade curvilínea só vislumbrada nas mais formosas das fêmeas ou ainda bizarra deformidade conduzida pela senilidade avançada.

Com o poder de “apossarem” por curto espaço de tempo seja do corpo de animais ou humanos e deles fazerem seus incautos marionetes, podendo atravessar a mais sólida parede como fosse fumaça e com o dom de realizarem os desejos daqueles dispostos a selarem com elas um pacto nefando onde por fim se perca a alma, porém, de tudo o mais terrível era o seu grito que emitido seria capaz de gelar o sangue do mais corajoso homem , matar os mais fracos, enlouquecer ou simplesmente deixa-lo surdo para o resto da vida.

Curioso observar que ligam as banshee a figura de Morrigan e suas irmãs Fraya (chamada de “a Odiosa”), Nemon (conhecida também popularmente como “a Venenosa”) , Badh (atendendo pelo apelido sugestivo de “a Fúria”) e Macha ou bem até a a imagem da deusa Brigith que nascendo como patrona da poesia e das artes termina ficando muito vinculada a idéia de luto com a história da perda de seu filho na batalha entre os Fomorianos e Tuatha Dé Danann.

Seja Morrigan, Brigith ou quem for , o fato é as banshee estão sempre na posição de portadores de más notícias na forma de morte precoce, doença e grande sofrimento, só que na origem etimológica a palavra “banshee” vem de “Bean-Sídhe” que se traduz como “Mulheres da Colina”, uma referencia ao último refúgio dos Tuatha Dé Danann que permaneceram na Irlanda e recolheram-se em “sídhe” (singular sídh) / colinas, individualmente escolhidas por Dagma para ser a morada de cada deus e deusa gaélico.

Agora é importante frisar que tal como haviam as “Bean-Sídhe”/ Mulheres da Colina haviam também os “Fer-Sídhe”/ Homens da Colina que reunidos compunham os “Aes Sídhe”/ Povo das Colinas ou encurtando “Sídhe”, porém, o que sobreviveu mesmo até os dias de hoje e projetou para fora do imaginário mítico irlandês foi a figura tétrica das “banshee”.

De inicio deste mito “transfigurado” as banshee serviam como protetoras das cincos principais famílias da Irlanda, a saber os O’Neills, O’Briens, O’Connors, O’Gradys e Kavanaghs. De fato a supostas aparições das banshee para além da Irlanda se deram tal como que acompanhando estas famílias para outros países.

Mesmo atualmente é recorrente a idéia de que chamar as banshee em voz por volta de tres vezes em certos locais tidos como de centros de poder místico em datas astrologicamente “peculiares” renderia a possibilidade de obter favores destas sombrias senhoras.