O Texto dos Sarcófagos

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Sarcófago Egipcio
Por Daniel Silva

Constituem uma série de textos de cunho religioso, que se destinava a guiar o morto no Além, para que ele soubesse como evitar os perigos, na forma de monstros e divindades hostis. Sem dúvida é uma prática antiga, remontando ao Antigo Império e reservada comumente á nobreza, já que um sarcófago era caro, como também o era a mumificação. A base era advinda do texto da pirâmide, o que mostra uma certa “democratização” do escopo religioso presente nessa obra, restrita ao Faraó. Apesar disso, algumas das passagens do texto real foram retiradas, e outra inclusas.

Ele se popularizou ainda mais no Médio Império, quando a mumificação passou a ser de diversos tipos. Desse modo, o camponês poderia economizar durante a vida, com muita dificuldade, o suficiente para ser mumificado – se bem que sem muito cuidado – e comprar algum sarcófago de madeira simples, com o texto, na esperança de ter uma vida melhor no outro mundo. Outro fato que merece destaque é a inclusão de mais passagens, bem mais adequadas ao objetivo dele e mais típicas do Médio Império.

Com a popularização, a escrita hieroglífica deixou de ser usada, já que além de difícil era de demorada confecção o que encarecia mais ainda o sarcófago. O uso da escrita cursiva chamada de hierática passou a imperar nesse tipo de texto funerário. Naturalmente que em múmias reais, esses textos eram em hieróglifos, mas para a maioria era mais rápido e fácil usar a hierática.

Pode-se considerar que ele constitui uma evolução entre a ritualística mais restrita do Antigo Império até a franca “democracia” do Novo império, onde bastava ter um Livro dos mortos, ser mumificado e dispor do aluguel de um sacerdote que recitasse os hinos na hora do funeral. O seu escopo, inclusive, influenciou e muito o Livro dos Mortos. Mas as vantagens desse último sobre os textos dos sarcófagos eram infinitamente maiores, já que o material era bem mais barato, e a mão de obra também – os sacerdotes produziam centenas de papiros onde só era preciso colocar o nome do morto, enquanto no sarcófago era preciso realizar uma série de ajustes.

Concluindo, esses textos foram uma das mais notáveis evoluções ritualísticas do Egito Antigo, e o seu legado para a religião daquele povo foi inestimável. Sem ele, talvez não tivéssemos a possibilidade de saber tanto a respeito do além túmulo do Egito.

Constitui um dos textos essenciais no âmbito religioso desse povo.