O Livro dos Mortos

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Por Daniel Silva

O livro dos mortos, uma das mais duradouras obras egípcias suscita, até hoje, discussões sobre sua origem, e sobre seu objetivo. Muitos dizem que o códice é um livro de magias, outros que se trata de uma mera descrição dos campos de Iaru, o paraíso Egípcio, também chamado de “belo Amanti”.

Na realidade o dito livro é algo bem diferente. Para começar, o termo “Livros dos Mortos” foi cunhado só no séc XIX, por Richard Lepsius, um arqueólogo alemão, para designar um conjunto de fórmulas que, assombrosamente, estavam presentes em grande parte das moradas da eternidade. Esse termo reverberou no imaginário humano, permanecendo até hoje como um livro secreto e misterioso.

Para os antigos egípcios, o conjunto de formulas rituais era chamado de “Livro para sair á Luz [do dia]”, e tinha por objetivo, fornecer ao morto bagagem ritual – na forma de centenas de invocações e sortilégios – que o morto usaria para chegar ao tribunal de Osíris. Para os antigos, que se viam ameaçados por uma viagem sombria por uma região onde o sol não iluminava nada, e nelas uma serie de provas antes de chegar ao tribunal, a perspectiva de ter um livro que os ajudasse era sublime.

A origem das fórmulas do livro para sair á luz sempre preocupou os estudiosos, já que se sabia muito pouco sobre os rituais durante o enterro dos antigos egípcios. Só no Séc XX foi possível, a partir da atividade dos decifradores estabelecer uma provável origem: o livro dos mortos remota as mais antigas dinastias, mas na forma de uma série de fórmulas exclusivas para o rei, recitadas por um sacerdote na hora do fechamento do tumulo real, destinadas a superar os perigos do submundo, e as “fórmulas” tinham base nos mitos contados pelos templos, e em registros nas casas da vida dos templos, em especial a de Iunu.

O resto da população não tinha acesso aos campos de Iaru. Contudo, com o tempo, o além passou a ser mais “democrático”, sendo estendido a todos os que podiam pagar uma mumificação e algum canto numa necrópole. Claro que a princípio, era apenas um sacerdote que realizava o serviço fúnebre recitando as formulas. Porem, a partir da XVII dinastia tornou-se de uso comum o uso de um pergaminho – ou de uma estela, ou até mesmo nas bandagens da múmia – para escrever as fórmulas. Essa atividade revelou-se lucrativa, os templos produziam centenas de pergaminhos com as fórmulas (deixando um espaço para escrever o nome do morto) e os vendiam, os mais baratos escritos em hierático, os mais caros em hieróglifos.

Sua partes eram temas constantes de pintura nos túmulos dos reis e nobres. Um dos mais importantes desses temas era o que ilustra a luta de um gato brandindo uma faca contra uma serpente, um inimigo comum dos mortos. Era dever do morto identificar que batalha era aquela, e que deuses estavam envolvidos. Ele então recorria ao livro dos mortos, seja nas paredes pintadas, seja no pergaminho, e descobriria que o gato é o sol, a serpente é Apofis, e a batalha é a luta diária entre a luz e as trevas, e do resultado dela dependia toda a criação.

Suas partes mais famosas:

[img]https://www.mitografias.com.br/wp-content/uploads/2015/04/paginalivromortos.jpg[/img]
Página do Livro dos Mortos

Fórmula para afastar a serpente (Apofis):
[i]Recua! Caminhante que és afastado, proveniente de Apofis! Que sejas mergulhando no oceano do Num no lugar que foi marcado para a tua destruição! Afasta-te do nascimento de Rá por que nele está o terror! Eu sou Ré, onde reside o terror! Recua![/i]

Era usada logo no principio da viagem, para derrotar a serpente que barra o caminho.

Fórmula para efetuar ao sair à luz do dia:
[i](…) Se este texto for conhecido na terra, ou se mandar inscrevê-lo em teu sarcófago poderá sair sem dificuldade e retornar a sua morada. Ser-lhe-ão servidos o pão e a cerveja, além da carne sacra do altar da boa divindade (Osíris) será alojado nos campos de Iaru, onde lhe serão entregues alimentos maravilhosos. (…)[/i]

Era usada para evocar ao morto as belezas do paraíso e lembrar-lhe que poderia visitar se desejasse, sua casa na forma de Ka (alma).

[i](…) Conheço-vos, o guardiões da Justiça e da Verdade (da lei de Maat) eu fui justo e lutei contra o mal. Eu não causei dano aos homens. Eu não oprimi. Eu não menti ou invés de ser verdadeiro. Como líder de homens não os obriguei a fazerem mais do que o exigido, não os tratei mal… (…)[/i]

Aqui o morto está diante dos juízes do outro mundo, e deve relatar todos os erros e faltas que não cometeu, antes de se proceder a pesagem do coração.

  • Diego Miyabi

    Aí vc vê que a humanidade poderia aprender com o passado mas até hj em dia os fiéis religiosos pagam e as igrejas lucram muito com isso. Antes era pergaminho e hj é tijolinho, toalhinha abençoada.