O Ciclo Solar

Papo Lendário #135 – Astrologia Chinesa
23/02/2016
Apolo e Dafne
29/02/2016
Adaptado por Daniel Silva

[b]Capítulo 1: O Nascimento de Rá[/b]
No princípio havia o Num, o Oceano primordial, sem margens ou fim, que em si continha tudo, cujas ondas rebentavam no vazio nos extremos do Cosmos. No meio dele, contudo, surgiu uma colina,o Outeiro primordial, feito da lama do Oceano, e no cimo dele havia um ovo. Tal ovo era branco e liso, sem marcas em sua extensão. E ele quebrou-se, e dele surgiu, num esplendor de luzes, Rá, o sol.

Naunet e Nun

[b]Capítulo 2: A Criação do Mundo[/b]
E Rá estava sozinho, em seu esplendor, antes que todos os seres tivessem nascido, e essa solidão o afetava profundamente. Portanto o Deus brilhante ergueu-se e cuspiu no oceano. Dessa saliva ergueu-se uma deusa, que foi chamada de Tefnut, a umidade. Mas Rá ainda se sentia só. No momento depois da criação de Tefnut ele criou Chu, o ar. E eles foram seus filhos. Rá então começou a retirar a Lama do fundo do Num, para com ela criar a terra forma.

Khepri

Naquele momento, de forma inusitada, Rá se dividiu em três, nas formas de Khepri, de Rá e de Aton. E essas formas caíram na terra. Chu e Tefnut então se apressaram para encontrar o corpo de seu pai, passando por toda a terra nessa busca. Tempos depois os três corpos estavam juntos, e o olho de Rá, que é o sol, verteu lágrimas sem conta pelo que acontecera. Dessas lagrimas nasceram os homens e os animais, que povoaram a terra.

Novamente Rá era um Deus único, mas se metamorfoseava todos os dias em Aton e Khepri, o sol velho e o sol novo.

Nut_e_Geb

[b]Capítulo 3: Os Filhos de Rá[/b]
Tefnut e Chu se amaram. E por isso uniram-se tendo Tefnut ficado grávida de Chu, com a benção de Rá, que continuava a criar os animais. Nessa época abelhas e hipopótamos nasceram das mãos do deus sol.

Com o tempo de Tefnut nasceram Geb e Nut. Geb desceu a terra, onde estendeu seu corpo e passou a encarná-la. Já Nut se estendeu, nua, na abobada celeste, dotando o corpo da Deusa de luas e estrelas. E ao vê-la acima de si nessas formas, o deus Geb apaixonou-se pela irmã.

Uma profecia contudo começou a se espalhar por toda a criação. E ela falava dos filhos de Nut, um dos quais seria o rei dos Reis. A cólera de Rá então não mede limites, proibindo que Geb e Nut se casassem, e ordenando a Chu que os separasse. Com esse interdito declarado, Rá volta a se dedicar á criação.

[b]Capítulo 4: A Punição dos Homens[/b]
De seu caminho pelos céus Rá percebe que os homens, que antes se mostravam respeitosos de seu criador agora eram insolentes, desrespeitando o sol e matando os seus semelhantes. A fúria então se apossa de Rá, que deseja então se aconselhar com seus filhos. Eles dizem apenas uma coisa:
– Pai, sois vós o grande criador do mundo e de tudo que ele contém. Mostra a esses insensatos a cólera temível de teu olho poderoso.

E o olho de Rá, normalmente representado como a tranquila vaca Hathor assumiu a forma de Seckmet, a terrível devoradora, a rainha das pragas e do desequilíbrio. E Rá falou a ela que punisse os infiéis dentre os homens, devorado-lhes a maldade, fazendo deles a maior prova do poder de Rá.

Sekmet

[b]Capítulo 5: O Salvamento dos Homens[/b]
Seckmet surgiu na região do Delta, e começou a subir o Nilo. Por onde passava, não crescia erva nem caminhava animal. Onde respirava, tudo o mais sufocava. As pessoas morriam de medo diante de sua face de leão, e de seus olhos terríveis. As garras caiam pesadas em constas e faces, os dentes rasgavam entranhas. Em poucas horas, fieis e infiéis morreram, de praga e de doença, pois Seckmet invocara seus servos, a doença, a praga, a fraqueza e a morte. Na altura de Iunu, cidade santa de Rá, ele tentou impedi-la, ordenando que parasse, mas a deusa leoa se negou, embriagada que estava pelo sangue que bebia. E ela continuou subindo o Nilo, só se detendo em Elefantina; alia adormeceu, sonhando no dia seguinte em descer o Nilo, tingindo-o novamente de vermelho.

Rá sente uma grande pena dos homens, que pecaram, é certo, mas que mereciam perdão. Assim ele ordenou aos fiéis que fossem as terras do delta e do vale, em busca de tâmaras e alfaborras de suco poderoso. Aos que ficaram, ordenou que reunissem centenas de cântaros, aos quais ele misturou a bebia fermentada a partir das frutas. Tudo isso em uma noite, apenas.

Depois Rá reuniu os mais bravos dentre os homens e os ordenou quem fossem a Elefantina, levado os cântaros da bebida, a qual Rá, ao amanhecer misturara sangue dos mortos.

Quando a leoa acordou, estava sedenta. Ao ver a curiosa bebida, ela a tomou, apreciando o sabor. Logo havia secado todos os cântaros, e estava inteiramente ébria. Assim, ela voltou para Rá, já sem vontade de fazer mal aos seres humanos. Assim terminou a punição de Rá, que exilou os infiéis restantes. Esses infiéis mais tarde se transformaram nos inimigos dos Egípcios, os Libios, Asiáticos e os Cananeus.

[b]Capítulo 6: A Doença de Rá[/b]
Rá está envelhecendo. Com o passar dos séculos, o grande deus se sente cada vez mais cansado, com as juntas rígidas, os cabelos prateados. Cada vez mais parece Aton, mesmo quando o orvalho matutino banha sua face. Todos os deuses se preocupam, sabendo que os ossos de seu pai de tornam prata, sua pele, ouro, seus cabelos lápis-lazuli.

Um dia, depois de mais uma noite, Rá não foi capaz de se erguer da cama, pois sentia um peso esmagador no crânio, e uma dor enorme em seu peito. Foi preciso que os outros deuses convocassem Thot para curar a velha divindade. Ele o fez, mas o desgaste de Rá piorava cada dia.

[b]Capítulo 7: A Maldição de Rá[/b]
O tempo seguia seu curso, a criação se tornava mais bela, assim como a terra do Egito. E o amor secreto entre Nut e Geb, entre a terra e o céu crescia mais e mais, apesar do interdito de Rá. Assim, a cada dia terra e céu estavam mais próximos.

Chegou um momento no qual Rá, ao olhar para os limites da criação, viu céus e terra unidos.

Tamanha foi á fúria da antiga divindade, que a barca solar quase tombou em seu passeio diário pelos céus. Rá viu o tempo da profecia maldita sobre o filho de Nut se realizar. Encolerizado, ordenou a Chu, o ar que separasse os irmão, e impedisse que Geb fecundasse Nut. Contudo não pôde impedir esse fato, que o deixou mais colérico que antes. Reunindo suas grandes foras ordenou que nenhum dia de nenhum ano de todos os séculos fosse o dia do nascimento dos filhos de Nut!