Telepinu

O Panteão Hindu
O Panteão Hindu
14/07/2016
Leitura de Pergaminhos #39
19/07/2016
Relevo de Deus Hitita
Por Daniel Silva

Certa vez Telepinu, deus da agricultura, acordou furioso, sabe-se lá porque. De tão zangado que se encontrava, calçou a bota direita na perna esquerda e a direita na esquerda, na pressa de partir para longe. Como de fato se foi.

Sem ele, o mundo foi mergulhado numa bruma estranha, e nada mais crescia. O grão continuava na terra gelada, sem poder crescer. As flores padeciam antes de desabrochar, e o fruto não dava sementes. Deuses e homens começaram a morrer.

Vendo isso, o deus da tempestade, preocupadíssimo, foi à casa de seu filho, em busca de uma resposta. Lá chegando, ergueu seu poderoso martelo, com o qual fazia com que os raios reverberassem pelo universo e bateu três vezes na porta da casa de seu filho. Só pôde constatar que ele não estava ali.

Tendo acontecido isso, ele foi até Hannahanna, deusa mãe de todos os deuses, esperando que ela soubesse de algo. Mas ela de nada sabia, e ainda pediu a ele que descobrisse o mais rápido possível onde estava seu filho, antes que toda a criação morresse.

Ambos decidiram enviar uma águia de olhar agudo em busca de Telepinu, e ela buscou, buscou, mas terminou por nada encontrar. Ao voltar, a decepção dos deuses foi muito grande, e Hannahanna terminou por decidir que uma abelha buscasse Telepinu. O deus da tempestade trovejou contra essa decisão, dizendo: “Que coisa mais estúpida! Ela é muito pequena, e jamais achará meu filho!”, mas a deusa mãe não de importou e enviou a abelha assim mesmo.

A abelha, depois de muito buscar, achou Telepinu estendido num campo com as flores mortas. Ela fez o que ordenara a deusa mãe: picou Telepinu nas mãos e nos pés, e espalhou bastante cera nos olhos deles. A coisa não deu muito certo, e depois de Telepinu ter espantado a abelha com muita rudeza, ele fez com que os leitos dos rios subissem, e que enchentes destruíssem as casas dos homens. A pobre Hannahanna não sabia mais o que fazer, quando o deus da tempestade falou: “chamemos Kamrusepas, deusa da magia, para resolver isso!”. E assim foi feito. A deusa se colocou-se no cimo de uma montanha, onde haviam doze dos mais belos carneiros de todo o Hatti. Ali ela gritou:

“Porteiro do Inferno, abra as sete portas, destranque os sete cadeados! Receba em seus caldeirões de bronze e ferro a raiva de Telepinu, sua malícia e sua fúria! Que eles não retornem!” – e com isso imolou os carneiros. De um outro foi retirado o tosão de lá finíssima, posto em um poste, onde o povo depositou oferendas. Depois de esperar um pouco, eis que a enchente desceu! Uma chuva nova e pura caiu, e a terra voltou a florescer, a vida a se frutificar. Depois de um tempo, em meio aos raios da tormenta, surgiu Telepinu, no dorso de uma águia. Ele olhou as oferendas, e se sentiu melhor, deixando de lado a zanga. Mas desde então o povo faz oferendas a ele, por medo que sua raiva terrível retorne.