Orthanc

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Por Daniel Silva

Orthanc se localizava no vale de Nan Curunír, no ponto mais meridional das montanhas das névoas, sob o pico de Methedras. Do lado leste era possível ver o descampado de Rohan, e Rhovanion. Do lado oeste, Eriador e a Terra Parda. No vale também nascia o rio Isen, e era comum que essa região também fosse chamada de Isengard. Orthanc era uma torre, do lado ocidental do vale, criada pelos numenoreanos, e uma das maiores provas do engenho desse povo. A torre teria nascido das convulsões sofridas pelas colinas nos primeiros dias, e a partir do resultado – quatro pilares multifacetados, lisos, indestrutíveis – a torre foi criada. Ela não era a única proteção do local, pois o vale era defendido por muralhas construídas posteriormente.

Imagem de um trono dentro de Orthanc

Talvez devido a pedra negra, aparentemente indestrutível, a torre suportou os milênios sem aparentar desgaste. A princípio, era a fortaleza mais setentrional do reino de Gondor, e sua guarda era papel de um Capitão nomeado pelo rei de Gondor. Durante séculos ela funcionou como um bastião do reino do sul nas terras, onde, mais tarde, seria erigido o reino de Rohan. A sua história torna-se conturbada após a era dos regentes, quando a torre é tomada de assalto por terrapardenses e conquistada. Muito mais tarde os gondorianos restabeleceriam a sua soberania sobre o local. Na época do regente Cirion, houve a batalha dos campos do Celebrant, e a torre foi separada, geograficamente, das terras de Gondor, ainda que pertencesse sempre ao reino. Nos anos finais da Terceira Era o regente Berem entregou as chaves da torre a Saruman, que tomou por lar essa torre, e o vale ao redor.

Saruman dentro de Orthanc com seu cetro

A morada de Saruman aparentemente foi uma boa solução, já que o reino do sul não podia mais manter uma guarda na torre, e ela se encontrava fechada. Em verdade, porém, revelou-se terrível. O Mago Branco descobriu que o palantír da torre tinha resistido por todos aquele milênios, e ousou, sem ter a necessária legitimidade, usar o artefato. Ele terminou por se envolver ainda mais com as sobras e se converter em um servo de Sauron, que, já nessa época, começava a se erguer em sua fortaleza de Bara-Dûr, em busca do Anel Governante, e fazendo uso, supostamente, da Pedra-Vidente de Minas Ithil. Lentamente, Saruman agia de forma insidiosa no seio do próprio Conselho Branco. E a nobre torre dos reis do Oeste converteu-se em um lugar de muita maldade; lá viveram orcs, lá nasceram os Uruk-Hai. E as árvores do jardim foram queimadas para alimentar as fornalhas de Saruman, e destruídas para o prazer do mago e de seus asseclas.

Região ao redor de Orthanc, destruida

Durante a guerra do anel o vale em que se localizava a torre foi tomado de assalto por uma horda de Ents, comandados por Barbárvore, mas não se abalou. O círculo de Isengard sim, foi completamente aniquilado pelos invasores, em vingança pela traição de Saruman, destruindo as árvores amadas pelos Ents. O local foi inundado pelo rio Isen represado, para limpara sujidade do mago decaído. Nesse contexto o Palantír terminou removido desse local por Língua de Cobra que, tolamente, tentou acertar os companheiros usando o artefato. Ele foi de grande utilidade para os Capitães do Oeste em sua luta contra Sauron.

Saruman e Palatir

Concomitantemente a guerra os ents instalaram, no vale, um jardim, e renomearam o local, conhecido, desde o estabelecimento de Saruman, como Nan-Curunír (Vale do Mago. Esse nome, de origem élfica, fazia referência a Curumo, nome da Saruman entre os Eldar d’além mar) para Jardinárvore de Orthanc. A guarda do vale, após a guerra do anel, foi entregue aos ents, e o rei Elessar Telcontar instalou, novamente, o Palantír em seu lugar de direito.

Ents enfrentando Orthanc

A Pedra Vidente não era o único tesouro da torre. Além dos livros, outros objetos preciosos foram encontrados e escondidos por Saruman, tanto relíquias dos Eorlingas quanto objetos ainda mais antigos e preciosos, pertencentes aos Homens do Oeste. Um deles, quiçá o mais precioso, era a Elendilmir, a coroa do reino do Norte, feita de uma estrela cristal élfica presa a um filete de Mithril. Ela foi utilizada pela própria Silmarien, filha de Tar-Elendil rei de Númenor, tetraneto de Elros, de onde descendiam os senhores de Andunië e os reis do exílio. Ela foi encontrada num armário de aço, atrás de uma porta secreta, sem dúvida construído para receber o anel governante. Só com a ajuda de Gimli, filho de Glóin, foi possível encontrar o esconderijo. Ele estava vazio exceto pela Elendilmir e, na prateleira superior, foi encontrado um saquinho dourado sustentado por uma corrente. Apesar de não ter qualquer sinal, era claro que, um dia, aquele objeto contivera o Um Anel, no pescoço de Isildur, ancestral de Elessar. Isso mostra que, mais do que nunca, o mago teria avançado tanto em suas pesquisas a ponto de encontrar os despojos de Isildur. Uma vez que a malícia de Saruman era bem conhecida, que fim teria levado o corpo do Alto Rei dos Dunedáin?

Na Quarta Era a torre permanece como um local de poder, e uma das fortalezas do reino de Gondor. Ali o rei Elessar ia para consultar a Pedra Vidente, garantindo-se que tudo estava bem em seu grande e poderoso reino.