Leitura de Pergaminhos #38

Estatua de Sekhmet sentada (capa)
De Seckmet
06/06/2016
A Misteriosa Cosmogonia de Jemenu: a Ogdoáde
09/06/2016
Capa do episódio 38 do Leitura de Pergaminhos

Nessa edição do Papo Lendário, especial de Leitura de Pergaminhos, Leonardo, Lucas Ferraz e Pablo de Assis fazem a leitura de e-mails do episódio 140 e 141 sobre as Tradições Mágikas.

Participações:

Pablo
Radiobla #128 – Patreon, Padrim e o financiamento de podcast
Psicolog – Houve um 29 de Abril

LINKS
Asherah – A Deusa Proibida (um dos artigos fonte do episódio 89 – Nos Bastidores: Deus)

Participe da Promoção: Sentimentos à Flor da Pele
Escolha um sentimento, personifique, e descreva-o, os dois mais criativos ganham um exemplar cada, do livro: Sentimentos à Flor da Pele.
Comente aqui nesse post (coloque seu e-mail para contato), ou envie um e-mail com o assunto: Sentimentos à Flor da Pele, para [email protected]

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Padrim do Mitografias

  • gandralf

    Pessoal, que tal um episódio sobre bruxaria? Se precisar de inspiração… https://www.youtube.com/watch?v=86mDPE1le9E

  • Henrique Tavares

    Essa promoção me lembrou de um projeto muito pessoal que eu tinha há uns cinco anos atrás!

    Então, eu não tenho apenas um, mas cinco personagens que representam qualidades que tenho (ou tinha) como diretrizes, contra.. deixa eu ver se acho o número aqui… 46 sentimentos negativos (incluíndo dores físicas) que cheguei a catalogar e categorizar. Minha ideia era construir um mundo e uma história com todos eles (muitas cidades eram baseadas em músicas), mas acabei largando depois de alguns anos.

    Além desses personagens, havia também gemas em que eu categorizava sentimentos sensoriais, como calor, frio, flora, fauna, água, dia, noite, tecnologia, urbano e rural e etc, e que davam mais de 70 pelo que me lembro. Isso tudo me ajudava a separar todas as minhas respostas aos estímulos externos e aprendi muita coisa com essa metodologia…. Isso tudo já estava enterrado e esquecido na areia aqui. Foi bom lembrar disso tudo, talvez eu me anime em resgatar essas ideias.

    Fica minha dúvida, tenho textos específicos para cada um dos cinco heróis, além de diveeeersos textos onde eu fazia elucubrações de como desenvolver essa ideia e os personagens e as relações entre eles, e eu escrevia em inglês. Posso participar da promoção passando o link dos textos originais?

    Bom, independente de ganhar a promoção ou não, eu gostei da iniciativa e vou dar um jeito de conseguir esse livro, quem sabe me dá uma inspiração pra voltar a trabalhar nesse projeto pessoal e que me ajudem a passar de obstáculos que não consegui passar antes

    • Olá Henrique

      Faz assim, ao invés de passar o link, vê qual das histórias que voce tem que acha que encaixa melhor com a proposta e envia para nosso email: [email protected]

      Pode ser mais de uma. Só nos mostre onde começa e termina cada uma, e o sentimento relacionado, pra não nos perdemos.

      Abraços

      • Henrique Tavares

        Eu vi aqui que eu usava alguns termos próprios que eu inventava, então os textos podem ser confusos, então vou dar uma resumida mesmo, e mando email para vocês!

  • Olá pessoal, se eu entendi bem a promoção aí vai!
    Nome Felipe Diaz
    Contato: [email protected]
    _______________________________
    Dor e Agonia

    A vida está uma bosta.
    Sabe quando chega aquele momento em que só há cobranças, estresse e prazos a cumprir e basicamente tudo está indo pelo ralo? Você está quase tão fodido quanto Graciliano Ramos e a única frase que resume seu estado é “A vida está uma bosta”. Bom, quando chego a isto e não sei o que fazer eu caminho; caminhar ajuda nos pensamentos, e foi em uma de minhas caminhadas que vi moscas dançando veludosamente ao som da música de seus próprios zumbidos e o cheiro úmido e espesso de urina e cimento levaram-me os olhos para dentro das pálpebras me fazendo lembrar uma rua.
    Há uma rua com uma série de postes e fios, regulares e gatos, de energia, TV e internet e, nestes fios, uma série de pipas estão presas, penduradas e se decompondo com o tempo, como um cemitério. Ninguém sabe o nome dessa rua ou não se importa com ele, mas todos a identificam como Rua das Pipas Mortas e foi nessa rua que conheci Dor e Agonia.
    [..]
    A forma de se aplicar o cerol é a seguinte: primeiro quebra-se uma garrafa, ou qualquer outro tipo de vidro e mistura-se o pó à cola, enquanto você inspira profundamente. Segundo, procure duas hastes paralelas, com uma certa distância entre elas, como dois postes, duas árvores ou um poste e uma árvore, pegue o seu carretel e o descarregue dando voltas entre as duas hastes. E em terceiro lugar unte a linha com a mistura e espere secar. Enquanto espera, curta a sensação de euforia e bem estar.
    O uso do cerol é proibido.

    Um dia, em um fim de tarde voltando da casa de minha tia, estava descendo uma das vielas em “S” que dava direto na Rua das Pipas Mortas, e um cara estava aplicando cerol em sua linha, que estava esticada e enrolada entre um poste e uma árvore. Parecia fibra proteica excretada por uma aranha. O rapaz também era pardo de nascença e escuro de sol, tinha idade entre dezessete e vinte anos, vestia um short jeans, calçava um Rebook, uma camiseta larga e um boné, de algum time ou de algum esporte gringo cujo mascote é uma abelhinha. Com as mãos sujas o cara para, me olha e diz:
    — Ei! Moleque, tu é o Chucky, não é?
    — Sim, por quê? — Eu pergunto desconfiado.
    — Sou o Nenê, mano, amigo do teu primo, ta ligado? — Dou de ombros e ele emenda — Pode esperar aqui um instante até secar o cortante? Te dou um real, quando voltar! Dá pra comprar um Fandango que vem com Tazo, não é?
    — Sim, mas eu prefiro Doritos, que custa dois. — Demora um pouco para ele entender, até que Nenê responde:
    — Beleza, pode esperar um instante?
    — Ok!
    O cara sobe a viela na direção da casa da minha tia e eu fico me perguntando quem era ele. Me aproximo da lata de alumínio deixada ao lado da árvore por ele, pego, olho e cheiro, dizem que cola de sapateiro pode ser utilizada como droga psicoativa.
    ***

    O vento assobiava e batucava as janelas como uma escola de samba, as pipas balançavam como loucas nos fios, elas pareciam voltar à vida como os mortos em filmes do Romero. Era quase noite, a neblina subia e a lua beijava a face do morro quase adormecido e o sol persistia em continuar brilhando criando um contraste de luz e sombra laranja, arrepiante e bonito. A linha estava seca, a rua estava vazia, e os cachorros uivavam enlouquecidamente, me dando aquela sensação de quando se está sozinho.
    O medo que sentimos sozinho é diferente. É medo.
    Talvez, sobre o influxo dos filmes que assistira noite passada e o clima ali, uma descarga de adrenalina, dopamina e endorfina corre pelas minhas veias, sobe um arrepio frio e lento nas costas do pescoço, os cabelinhos do braço se arrepiam e então ela apareceu, saindo da sombra, surgindo atrás de mim, uma garota negra e pálida que não vestia roupas.
    Não parecia ter vida em seus lábios.
    Seu cabelo era dividido em duas grandes tranças que saiam do topo da cabeça, desciam pela lateral e se arrastavam pelo chão. Ela não tinha mamilos, nem o que na época eu imaginava ser o órgão genital feminino adulto, não fazia ideia de fato de como era. Ela parecia ser de borracha. Não havia pelos em seu corpo e a gravidade parecia não agir sobre ela, ao caminhar parecia levitar, então se virando para mim disse:
     — Olá, meu nome é Dor, acho que você não se lembra… — Sua voz era grave, aveluda e serena — Alias, esta é Agonia.
    Apontando para as sobras de onde ela veio, eu me viro completamente e vejo surgir outra criatura de mesma forma sem roupas, negra e pálida. Também não parecia ter vida em seus lábios, porém seu cabelo era apenas uma grande trança que saía do topo da cabeça e descia pela nuca se arrastando pelo chão. Ao lado do outro ente ela diz:
    — Olá… — Sua voz era grave, estridente e incomodava. Fico estático e    Agonia continua a falar — Se quiser pode me chamar de Personificação e ela, — Agonia aponta para Dor, meus olhos se arregalam ao ver que elas não tinham unhas — Você pode chamá-la de Prosopopéia.

    — O que? — é difícil ser criativo e assertivo quando se está cagando nas calças.

    — É uma figura de linguagem, não sabe o que é criança? — Dor se aproxima de mim — Personificação e prosopopéia consistem em atribuir a objetos ou seres, características próprias dos seres humanos. Por exemplo, eu, Dor e ela, Agonia.

    — Mas por que, não entendo? — Minha habilidade em articular boas frases voltava aos poucos.

    — Digamos que nós estamos aqui por que nossos serviços são necessários. — Agonia diz.

    — Explique, não entendi — Como disse minha habilidade em articular boas frases voltava aos poucos.

    — Você sabe o que é agonia? — Agonia me pergunta ela espera que eu responda como fico sem reação ela diz — Agonia é o conjunto de fenômenos que anunciam a morte.

    — Minha? — Digo caminhando até o centro da rua tremulo se afastando da linha.

    — Não, dele! — Dor fala e aponta para o outro lado da rua na esquina ao lado do terreno baldio/campo de futebol de onde um rapaz subia correndo.

    O homem virou a esquina acelerado correndo, vinha em nossa direção, ele jogou o que parecia ser uma bolsa de mulher do outro lado da rua desatento não viu a linha disposta nas hastes e como uma teia capturando um inseto, a linha capturou o homem.

    — Viu? — Agonia se aproxima seu rosto ao meu, seus olhos eram esbranquiçados e opacos — E dor você sabe o que é?

    Dor se aproxima de mim, enquanto Agonia vai até o homem que quanto mais se debatia mais se enrolava e se cortava, e diz:
    — Dor é a sensação de alerta de que algo está errado e varia desde o um desconforto leve a excruciante — Dor vai em direção ao homem que começa a gritar desesperadamente. Fico parado, imóvel apenas observando a cena, ambas as lívidas tocam o rosto do homem que se agita como peixe fora da água. O moribundo parece não ter consciência de que quanto mais ele se move, mais ele se lacera.
    ***

    Dor é desagradável e gosta de incomodar, enquanto Agonia é tranquila, porém gosta de agitar. Ambas acompanham a existência desde o princípio e já eram velhas quando a humanidade ainda engatinhava, e riram da cara da humanidade quando os primeiros homens tomaram consciência de existência, mas pararam de rir quando viram que os homens não evoluíram muito, desde o ocorrido. A única diferença entre nós e nossos antepassados é não vivermos mais em cavernas. Agonia já fora adorada como deus na Grécia, Dor já teve orações em seu nome pelos persas enquanto fugiam dos mulçumanos.
    Dor e Agonia são nossas companheiras de vida.
    O homem se decepciona muito fácil, criamos expectativas e a realidade sempre oblitera com elas. A realidade nunca é como imaginamos. A dor e a agonia, quando se apresentam, se personificam no maior desejo do observador, e no meu caso, uma criança de onze anos entrando pra adolescência, que iria dar o primeiro beijo e começar a fumar aos treze anos, era ver uma mulher pelada. Como eu nunca tinha visto uma inteiramente pelada até então elas saíram da forma que as descrevi.
    A dor e a agonia geralmente se manifestam em seu maior desejo.
    […]
    _______________________________

  • Olá pessoal, se eu entendi bem a promoção aí vai!
    Nome Felipe Diaz
    Contato: [email protected]
    _______________________________
    Dor e Agonia

    A vida está uma bosta.
    Sabe quando chega aquele momento em que só há cobranças, estresse e prazos a cumprir e basicamente tudo está indo pelo ralo? Você está quase tão fodido quanto Gracilianto Ramos e a única frase que resume seu estado é “A vida está uma bosta”. Bom, quando chego a isto e não sei o que fazer eu caminho; caminhar ajuda nos pensamentos, e foi em uma de minhas caminhadas que vi moscas dançando veludosamente ao som da música de seus próprios zumbidos e o cheiro úmido e espesso de urina e cimento levaram-me os olhos para dentro das pálpebras me fazendo lembrar uma rua.
    Há uma rua com uma série de postes e fios, regulares e gatos, de energia, TV e internet e, nestes fios, uma série de pipas estão presas, penduradas e se decompondo com o tempo, como um cemitério. Ninguém sabe o nome dessa rua ou não se importa com ele, mas todos a identificam como Rua das Pipas Mortas e foi nessa rua que conheci Dor e Agonia.
    [..]
    Dor é desagradável e gosta de incomodar, enquanto Agonia é tranquila, porém gosta de agitar. Ambas acompanham a existência desde o princípio e já eram velhas quando a humanidade ainda engatinhava, e riram da cara da humanidade quando os primeiros homens tomaram consciência de existência, mas pararam de rir quando viram que os homens não evoluíram muito, desde o ocorrido. A única diferença entre nós e nossos antepassados é não vivermos mais em cavernas. Agonia já fora adorada como deus na Grécia, Dor já teve orações em seu nome pelos persas enquanto fugiam dos mulçumanos.
    Dor e Agonia são nossas companheiras de vida.
    O homem se decepciona muito fácil, criamos expectativas e a realidade sempre oblitera com elas. A realidade nunca é como imaginamos. A dor e a agonia, quando se apresentam, se personificam no maior desejo do observador, e no meu caso, uma criança de onze anos entrando pra adolescência, que iria dar o primeiro beijo e começar a fumar aos treze anos, era ver uma mulher pelada. Como eu nunca tinha visto uma inteiramente pelada até então elas saíram da forma que as descrevi.
    A dor e a agonia geralmente se manifestam em seu maior desejo.
    […]
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  • Lam

    Estou há um ano atrasado, mas gostaria de escrever também para o Sentimentos à Flor da Pele, hehe!

    Eu sou a aflição do desconhecido.
    Eu sou o excesso de saber.
    Eu sei tudo.
    Eu não sei nada.
    Quem sou eu?

    Abraços,
    Lam.