Leitura de Pergaminhos #34

Cêix e Alcione
12/10/2015
Sleipnir
15/10/2015

Nessa edição do Papo Lendário, especial de Leitura de Pergaminhos, Leonardo, e Pablo de Assis fazem a leitura de e-mails do episódio 125 (O Vodou Haitiano) ao episódio 127 (Machismo, Mitologia e Sociedade).

O episódio 127 rendeu uma ótima leitura de Pergaminhos, sendo mais do que uma leitura de comentários, e sim um complemento ao episódio.

LINKS:

Texto do Pablo de Assis: O Direito de Lutar pelo Direito do Outro

Leonardo e Pablo no Agencia Transmidia
Parte A
Parte B

Pablo no Anticast sobre Determinismo Biológico X Social

Musica Final: You Don’t Own Me – Lesley Gore

Padrim do Mitografias

Midia Kit

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Padrim do Mitografias

  • Diego Miyabi

    Ah n precisa agradecer, eu adoro os posts ^^

  • Bom dia pessoal!

    Ótimo episódio!
    Sabe o que eu considero peculiar? Como sempre tem quem defenda a falta do “outro lado” na discussão quando o assunto em pauta é feminismo. Mais alarmante ainda é a falta de argumentos bem construídos para defender essa visão, e o apelo ao emocional, como disse o Pablo.
    Eu tenho lido muito disparate, do tipo “qual o mal de ser machista” e “feminismo é tão ruim quanto machismo”, defesas de que a opinião de um “machista moderado” agregaria à discussão e etc, isso de pessoas que não se dão ao trabalho de ler uma linha sobre o assunto. É o endeusamento da opinião sem embasamento, como se opinião fosse uma iluminação divina que recai sobre a pessoa e não é passível de auto crítica ou de se alterar com estudo.
    Minha sensação é que essa vangloriação da opinião é mais um medo de encarar os próprios preconceitos, medo de sair da zona de conforto. O conselho que dou é: tenha menos certezas na vida. Tudo é muito mais complexo do que você imagina, se permita se questionar. Isso é fundamental para nosso crescimento enquanto pessoas e enquanto sociedade.

    Ótimo programa mesmo.

    Abraços!

    • Faz tempo que me incomodo com essa questão de opinião. “Mas isso é só sua opinião” me deixa muito irritado, principalmente quando não é só minha opinião, são argumentos baseados em evidência e em teorias corroboradas por experimentos e outras evidências… Ontem mesmo estava respondendo no twitter a um argumento sobre o fato de o DNA não definir o binarismo de gênero e a pessoa simplesmente disse: “Sabe quantas pessoas eu conheço que são assim? Nenhuma”, como se a sua experiência de pessoa privilegiada pudesse servir de base para todas as verdades do mundo…
      Mais triste ainda é quando vc baseia seus argumentos em meias-verdades científicas ou falácias argumentativas, achando que vc possui alguma base, mas no final não se sustenta em nada, só em opiniões…
      Se abrirmos mão de buscar verdades e passarmos a buscar evidências, muita coisa pode melhorar!

  • gandralf

    Sem essa de femminismo é bonitinho. Já fui e já voltei.

    Já ouvi com muita atenção e empatia as idéias do movimento feminista. Durante um período, em que todas as referências que eu recebia eram bacanas, tudo bem. Emma Watson na Onu <3 <3 <3? Uh-uh! Mamilos? Palmas! Apoiei e divulguei vários episódios, sendo que até hoje o #31 é o meu favorito. O texto de introdução ao tema principal é de arrepiar.

    Mas daí comecei a dar uns passos para trás e vi que a coisa não se restringe só a estas manifestações bacanas. Já encontrei variações e demandas tão díspares que é difícil apoiar o movimento feminista.

    Ah, e sem esta do escocês de verdade. A não ser que exista um guia oficial que defina claramente o que é o o que não é, se existe gente suficiente que se diz x-ista e que, em nome do x-ismo, diz que o coala deve ser venerado como um deus, o deus coala passa a ser uma demanda x-ista.

    Ou seja, tenho visto tanta coisa absurda dita em nome do feminismo que está difícil engolir este movimento.

    Algumas coisas são claras, como as alunas que se masturbaram na reitoria da UFMG há algumas semanas. Outras são mais sorrateiras, como o boicote a determinadas pesquisas que vão contra a ideologia. E tem a redefinição do dicionário.

    Por exemplo, alguns termos são sorrateiros, como a tal "cultura do estupro". Fala que não é?! É claro que vem um monte de "veja bens" explicando que o significado não é bem este e tal. Algo que não seria necessário se usassem um diabo de termo honesto, não agressivo-marketeiro, para início de conversa! Mas adivinha por quê este termo foi escolhido?

    A expressão "todo homem é um estuprador em potencial" só se restringe à interpretação do Leonardo se assumirmos que "ah, elas são legais, então não deve ser nada agressivo-manipulador. Então, o que seria?". Não! Esta expressão também trás uma espécie de julgamento moral superior feminino. Isso é tão inegável que você tem que chegar com mais uma sacola de "veja bens" para atenuar a coisa.

    Algo como "não vim trazer paz, mas espada". É claro que quando eu era cristão já assumia que "Puxa, se Cristo era legal, isso deve significar algo legal. Então o que seria?". De novo, não! É forçar a barra com base em uma postura de "eu quero acreditar". Esta passagem não é legal, e ponto. Ela é, no mínimo, no mínimo, um equívoco que deveria ser removido na edição seguinte do NT.

    Qualquer ismo é assim. É um joguinho. Pode até começar como uma série de demandas bacanas mas que, aos poucos, vai se tornando uma bagunça inacreditável e perdendo a idéia inicial. Basta esperar e deixar crescer o suficiente. A entropia e a máxima beccariana (o ser humano é o pior tipo de gente) tomam conta. Ou a máxima do Alfred: Ou você morre como herói, ou vive o bastante para se tornar o vilão.

    Eu conto uma historinha bonitinha e junto com isso passo um monte de idéias que você não engoliria. Daí uso todas as ferramentas que possuo para te fazer engolir o pacote todo.

    Tipo a salvação. Aqui, é só ser um cara legal uns com os outros. Não é bom? Ah, o melhor é que você terá a vida eterna. Não é legal? Ah, e tem que me dar o dízimo. É só 10% para a vida eterna. Não é uma barganha?

    Ah, tem um tal de feminismo que fala de igualdade. Não é legal? Ah, mas já que as mulheres é que estão no pior lado neste equilíbrio, são elas que têm voz neste movimento. Não é justo? Além de ficar calado, no máximo dando espaço para que as feministas de verdade atuem, sinta-se um merda por fazer parte do grupo que nos violenta. Não é lógico? Agora você estará subjugado a um guia não escrito que poderá ser usado contra você a qualquer momento, em nome do feminismo, ao mesmo tempo em que receberá um carimbo de misógino na testa. E já falei que qualquer crítica ao movimento será tomada como misoginia?

    Igualdade my ass!

    #tounelvoursoecertamentevoumearrependerpormetadedoqueescrevimasvaiassimmesmoprontoekbo #estoucompreguicadepegarostrocentoslinksparaoquefaleimasogoogleehseuamigomassohvoudeixarumvideo

    https://www.youtube.com/watch?v=jBf84c-VEU8

    • É a diferença entre ter um movimento feito por pessoas – e por isso defendo que o feminismo deve ser das mulheres – e um movimento feito por verdades e definições… pessoas agem, vivem e morrem todos os dias… definições fecham portas e definham ações… Por isso não ligo pras definições, só ligo para as realidades que os nomes apontam. O feminismo aponta para a realidade que mulheres estão literalmente morrendo por causa dos homens – e que homens estão morrendo porque são babacas… Que tal a gente mudar essa postura babaca de ser definida pela masculinidade vigente, pelos atos e discursos dos homens dominantes, e passar a agir diferente, a incluir mais gente e simplesmente ser menos babaca? Simples, não? Sim… E por que não fazemos? Porque ainda estamos presos a besteiras como “verdades”, “definições”, “ideologias”, “salvação”, “messias”, “religare”, que nos tiram das vivências, do dia-a-dia, das experiências diretas com o mundo, das relações diretas com as outras pessoas. Se uma pessoa morre na minha frente por conta de algo que faço ou deixo de fazer, eu preciso mudar minha atitude, não continuar defendendo a ideia que já existe e que não funciona que ou ajuda a matar ou não impede a morte. Isso é a “cultura do estupro”, um nome dado para mostrar que a nossa cultura não só permite como também incentiva essa prática de dominação sobre as mulheres. Procure o caso de Rehtaeh Parsons como UM exemplo, ou então da Amanda Todd pra vc ver como é que a nossa sociedade literalmente mata as mulheres e não é só uma questão de ideologia, de manifestação ou demandas: é questão de proteger vidas pura e simplesmente. E trazendo outra frase pronta pra adicionar às suas várias outras citadas: “ou você é parte da solução ou é parte do problema”. Eu já fui parte do problema, já alimentei a cultura que justificava o estupro, mesmo indiretamente. Hoje preciso ser mais ativo justamente para que a minha omissão não sirva como aval para babaca fazer babaquice por aí, não só contra as mulheres, mas contra qualquer outra pessoa. E digo qualquer outra pessoa porque homens também sofrem com o machismo que eles mesmos defendem. Só quem se beneficia são alguns poucos que conseguem convencer a maioria que eles estão certos e que as coisas precisam continuar do jeito que estão. E enquanto a gente não perceber isso, a gente vai continuar pagando pros babacas pisarem nas nossas cabeças e pagando pra marmanjo matar mulher e justificar com “mas isso foi só uma brincadeira”.
      #agoravouvoltararespirar
      E pra ajudar na sua pesquisa, falo um pouco mais sobre isso neste artigo: http://pablo.deassis.net.br/2013/04/os-bodes-epiatorios-e-os-crimes-da-sociedade/
      🙂

      • gandralf

        Sim, o texto dos bodes expiatórios é um dos meus favoritos lá. Já compartilhei e referenciei o mesmo algumas vezes.

        Quanto ao caso trágico das meninas, já conhecia. O mamilos #31 é justamente sobre slut shaming. É uma tragédia. Mas se ficar obcecado pelo machismo, posso perder outros componentes fundamentais nesta história, como nossa caretice doentia frente ao sexo (turbinada e retroalimentada pelo machismo, claro). E ainda tem mais coelho nesse mato, muito mais.

        Enfim, acredito em feedbacks e críticas como ferramentas de mudança. Mesmos as mais ácidas. Mesmo que destruam argumentos cobertos de boas intenções, porém mal construídos. Isso força uma reflexão mais profunda e uma (re)construção mais sólida. Precisamos do segundo tipo, substancial e objetivo, não do primeiro, caricatural e naïve, para promover mudanças significativas. Assim, prefiro denunciar idéias “feminista” malucas e alimentar as bacanas.

        Daí fico particularmente incomodado quando vejo alguém manipulando números ou simplesmente entrando em nonsenses a la South Park como https://www.youtube.com/watch?v=mYPICUGk3D8

        PS: É óbvio que não dá para comparar as situações, mas já perdi a conta de quantas vezes vi este número, que tem uma leve relação com o slut shaming, mas que teve uma reação épica ( Não entendeu? http://blog.amandapalmer.net/20130713/ ):
        https://www.youtube.com/watch?v=RRWp4B0qsW8

        Vi veri veniversum vivus vici

        • Cara, que complicado…

          Primeiro que isso tudo que você fala se aplica para todo e qualquer agrupamento de pessoas no mundo que seja grande o suficiente para gerar grupos diferenciados dentro do mesmo.
          Com isso em vista, um cristão (leia-se pessoa que segue os ensinamentos de Jesus, não necessariamente religioso) não se diria mais cristão por que não corrobora nada do que a bancada evangélica do congresso prega. Não é bem assim que as coisas funcionam.
          Nenhum movimento, por mais bem documentado que seja, é 100% coeso. No final das contas você como parte de toda e qualquer associação de pessoas vai seguir e espalhar a sua versão daquele movimento. Não existe um movimento feminista com regras 100% definidas, assim como não existe nenhum movimento totalmente definido.
          Tem gente escrota falando coisas escrotas em todos os movimentos de defesa de minorias e por mais igualdade social. Repito, em todos eles.
          Isso invalida todos os movimentos? Eu realmente acho que não. E sinceramente não acho que seja a atitude mais construtiva e que gere mais diálogo ficar criticando os extremistas de forma que generalize isso para o movimento como um todo.

          Mas ai é minha forma de ver o mundo, eu prefiro apoiar as lutas sociais nos posicionamentos com os quais me identifico, e ai entra uma boa dose de repensar minhas próprias convicções pessoais, mas tem aquele limite do bom senso que não concordo e não me sinto confortável para apoiar. Mas daí assumir um posicionamento de só criticar o movimento como um todo tomando como base os extremos…. não vejo como algo que agregue.

          Quanto a ser pró-feminismo, eu me identifico com essa nomenclatura e atuou nesse sentido. Até o momento não fui criticado por isso. Ao contrário, quando fiz críticas pesadas em outros sites que fizeram um conteúdo duvidoso a respeito, recebi várias manifestações de agradecimento.
          O lance do protagonismo não é não poder participar, é simplesmente fazer isso até o ponto que isso afeta sua realidade pessoal. Não tem cabimento, por exemplo, quando muita gente fala que algo as incomoda e a gente, que não vive a realidade dessas pessoas, querer ditar que aquilo é bobagem. Eu entendo dessa forma, é só não ser invasivo e desrespeitoso. De forma consciente, todo mundo pode participar.

          Agora, se você prefere se guiar pelas extremistas que acham que homem bom é homem morto, ai não dá mesmo.

          Abraços

          • gandralf

            Primeiro que isso tudo que você fala se aplica para todo e qualquer agrupamento de pessoas no mundo que seja grande o suficiente para gerar grupos diferenciados dentro do mesmo

            Yup! Isso mesmo. Mas como a discussão me parecia boazinha demais para um lado, resolvi lembrar disso, dando alguns exemplos de coisas que não são fofinhas (e que nem são consenso lá dentro).
            Além de, claro, de fraternidades PCs deslumbrados e agressivos demais.

  • netuh

    Acabei esquecendo de comentar no anterior, mas vou comentar nesse.

    Sobre homem não poder ser feminista (considerando que feminista é qualquer um que defende as causas da igualdade de gêneros). Isso é ridículo. Homem obviamente pode e deve defender a causa feminista. Isso é o mesmo que dizer que um antropólogo para analisar a cultura de um povo tem que fazer parte desse povo. É muuito pelo contrário. Por estar de fora você pode fazer análises que alguém de dentro não seria capaz de fazer. Não é pra menos que os maiores antropologos de cultura japonesa não são japonese, etc. E isso não quer dizer que só quem é externo deve defender a causa, ambos têm que defender, não somente ouvir, apoiar e dar tapinha nas costar…

    Já uma coisa que é própria de um discurso feminista que eu não gosto, é isso de que grandes feitos da sociedade foram graças a mulher (como o Pablo falou quando defendeu as mulheres na interação com Turing, etc.). Isso pra mim só presta um desserviço a igualdade de gêneros. Porque isso polariza ainda mais a rixa entre feminino e masculino. Por isso eu prefiro dizer que os grandes avanços sociais foram graças a interação entre mulheres e homens.

    Tem mais ponto que eu gostaria de tratar. Mas já tá muito textão. E a propósito, ótimo cast.

    • Eu entendo sua posição e já pensei assim um dia. Até perceber que essa postura relativiza o problema, ou seja, deixa ele relativo à sua solução. Se a solução para o problema é a igualdade e o equilíbrio, vamos entender o problema pela ótica da solução, certo? Então vamos ver que o melhor é trabalharmos juntos, homens e mulheres lado à lado; vamos deixar homens e mulheres serem feministas, pois assim todos podem contribuir para um mundo melhor.

      Mas isso ignora completamente o “X” do problema: são as MULHERES que mais morrem por conta do machismo e essas mortes são mortes autorizadas em nome de alguma ideia maior – muitas vezes desidentificada com o masculino. Por exemplo, muitas mulheres morrem por conta de abortos clandestinos, justamente porque, ao se pregar a proteção da vida, esquece-se da vida da mulher e se considera apenas a vida potencial do feto. Muitas mulheres morrem por conta de violência doméstica e sofrem várias formas de violência doméstica, não só física, mas também psicológica, moral, patrimonial e a maioria desses atos são não só justificados culturalmente, como incentivados. Se reconhecermos isso e olharmos o problema, não apenas sua solução, a perspectiva muda e inclusive a solução passa a ser vista relativa ao problema:
      – É necessário que as mulheres tomem protagonismo por sua própria luta, já que a luta não é do homem mas sim da mulher. No final das contas, a mulher está lutando pela própria humanidade, mas a luta deve ser principalmente dela. Pense no último Mad Max: Max pode até ter ajudado, mas o dilema das mulheres precisou ser resolvido por elas principalmente.
      – É necessário reconhecer sim o papel ativo das mulheres individuais e coletivas na nossa sociedade que age ativamente para apagar esse reconhecimento. Se não fizermos isso, não vamos reconhecer o papel nefasto do homem no apagamento da representatividade masculina e corremos o risco de esquecer que fizemos isso. Reconhecemos o nosso erro justamente para não voltar a repeti-lo. Dizer que mulheres foram responsáveis por avanços científicos não é polarizar a rixa: é reconhecer o apagamento dela da história. Não estamos aqui num programa da Xuxa onde meninos e meninas brigam por um prêmio maior. Estamos numa sociedade onde mulheres fazem um monte e os homens em sua volta levam todo o crédito e isso precisa não só ser reconhecido como também apontado para não repetirmos o mesmo erro.

      E quando tiver mais pontos, é só trazer que a gente comenta mais! 😀

  • Guilherme Sansoni

    Mesmo não tendo comentado nos episódio de ocultismo e elfos, eu gostei muito de ambos!! O de ocultismo eu escutei 3x e me perdia, acho fascinante, mas conheço muito pouco, por isso me acrescentou muito!!! Sobre os elfos, como fã de Tolkien que leu o Silmarillion eu conhecia bastante do que foi falado, e sempre soube que existiam outros tipos de elfos em mitologias, mas disso também conhecia pouco…

  • Rodrigo Paiva

    Queria pedir desculpas pelo meu comentário, acho que fui um pouco ofensivo, postei logo que acabei de ouvir e me exaltei, depois de 5 anos de USP sei o que esse pessoal da FOFOLETE pode fazer em questão de podar a liberdade dos outros, mas não era minha intenção ofender a convidadada, mas alguns pontos eu preciso replicar.
    Quanto aos salários:
    -Um médico pode fazer tudo o que uma enfermeira faz, mas tem a a enfermeira para AUXILIAR o papel dela é secundário. O risco que ela corre não justifica o salário, se fosse assim um homem que trabalha em uma carvoaria deveria ganhar mais do que um engenheiro, o risco é um dos muitos fatores que formam o salário. A exploração das atrizes e das modelos é piada né? Acho que o Pablo não conhece nenhuma atriz pornô…rs Mas se conhecer pergunta se ela quer arrumar um emprego pra bater cartão todo dia e pergunta se elas gostariam de trocar com o cara supracitado que trabalha na carvoaria?
    Quanto a pesquisa:
    – Acho que vcs entederam errado o que quis dizer: não referia ao mérito da pesquisa (apesar de achar que os cérebros são dierentes sim, eu não sei a diferença até hoje de rosa pra salmão e minha mulher acha graça…rs), me referia ao fato de elas tentarem impedir o avanço da pesquisa, e esse tipo de coisa é a minha crítica a esse tipo de feminismo, “mulher não pode ficar em casa e cuidar dos filhos tem que ser igual a gente e peluda”, quando o mote deveria ser o do feminismo original: “mulher faz o que quiser”. Me lembro do mimimi do engenheiro da NASA que pousou uma sonda num meteoro e o foco das feminazis foi a camiseta que ele ganhou de uma mulher, esse tipo de podação de liberdade que me preocupa.

    • Olá Rodrigo! Não se preocupe, todo comentario é bem vindo.

      Quanto aos salarios, sempre pensei sobre os salarios de enfermeiras, na verdade, de auxiliares de enfermagens, no Brasil, elas que acabam correndo o risco pelo trabalho. Sempre pensei pois tenho familiares proximos nessa area, e sempre achei que deveriam ganhar mais. Ainda mais visto que em outras profissões de alto risco acaba-se tendo acrescimos de valores consideraveis por essa questão.

      Quanto as atrizes porno, talvez voce não tenha entendido, o que dissemos não foi que elas iriam preferir emprego de bater cartão, e sim justificamos o motivo de uma atriz porno ganhar mais que os atores. Apesar de que é possivel encontrar depoimentos de atrizes que preferem trabalhar como garotas de programa do que como atriz por causa da exploração de atrizes ser ainda maior que uma GP.

      Sobre a pesquisa, como falei, o site é meio tendencioso, tornando as informações meio duvidosas. Mas de fato acredito que possa ter ocorrido isso de mulheres quererem impedir tal pesquisa. A questão é que não se deve generalizar, imaginando que toda mulher que defenda a luta pelos seus direitos e igualdade (que por isso já pode ser considerada feminista) tambem ira agir e pensar da mesma forma.

      E quanto ao “mantra”. Pelo que você falou voce é contra o contexto que muitas vezes é usado e não a frase em si. E mais uma vez não se deve generalizar que toda vez que alguem diz esse “mantra” ela esta dizendo nesse contexto que voce não gosta. Eu e o Pablo conhecemos a convidada do episódio melhor do que a maioria dos ouvintes, então não se pode julgar qual contexto ela usou sem conhece-la. E se tirarmos a frase de todo o conceito possivel, deixando-a o mais literal possivel, acaba tendo o significado do qual expliquei.

      Por fim, agradeço novamente pelo seu comentario!

      • Eu sempre dizia “Só posso me responsabilizar por aquilo que eu digo, não pela forma como os outros entendem” como uma forma de relativizar as questões de “contexto”, “intensão”, “impressão” e outras questões que relativizam os discursos… mas até essa minha posição é complicada, pois dá forma a esse relativismo e, no final das contas, o que estamos discutindo aqui é justamente a relativização.

        Eu defendo o ponto de que, diante da violência, não existe relativismo. Pessoas morrem por conta disso. Relativizar com “nem todo homem” é errado, porque tira o foco do problema que “sim, toda mulher” é vítima potencial de agressão. Não é questão de “será que”, mas sim de “quando”… Basta ver a repercussão da hashtag #MeuPrimeiroAbuso e perceber pelo que toda mulher passa. E se formos pensar de forma matemática, provavelmente um mesmo cara assedia centenas de mulheres por toda a sua vida e uma mulher nem sempre vai ser assediada centenas de vezes na vida – mas basta uma para saber que isso é problema sim. Então, é óbvio que “nem todo homem” é estuprador, mesmo que potencial. Mas, diante da realidade da mulher que é constantemente assediada ou ameaçada de assédio simplesmente por ser mulher na sociedade, ela não tem como saber qual homem ela poderá confiar, pois mesmo aqueles que ela confia são capazes de agredi-la (basta ver que a grande maioria dos ataques são feitos por familiares ou amigos das vítimas).

        Colocar problemas sociais sob óticas relativistas complica o problema, pois tira de nós qualquer possibilidade de mudança, pois ao final, tudo é relativo. Aquela atriz pornô gosta do trabalho dela? Ótimo. Isso não tira o fato de que existe exploração do corpo e trabalho feminino na indústria pornô – basta ver os roteiros que são filmados e vendidos que, por si só, já justificam a exploração e os abusos sociais! Os médicos de forma geral estudam mais e merecem mais do que as auxiliares de enfermágem? Ok! Mas e por que eles ganham mais do que as médicas que executam a mesma função? Isso se justifica justamente por conta do padrão patriarcal da sociedade que valoriza o trabalho masculino. Qualquer argumento que for dado para justificar a disparidade (como escolhas individuais, oportunidades de formação, escolhas familiares, filhos, etc) reflete extamente o que falamos no episódio: nossa sociedade desvaloriza as características atribuídas às mulheres, como cuidar dos próprios filhos (homens só têm direito a 5 dias de licença paternidade, por exemplo)!

        Vivemos em uma cultura do relativismo que é a arma encontrada para não se mudar absolutamente nada. E isso é muito, mas MUITO perigoso.

        Voltando à minha frase original, eu posso não me responsabilizar pela forma como o outro entende – já que não estou na cabeça dele – mas sou responsável sim em não avisá-lo de que a opinião, compreensão ou postura estão erradas.

        • Aqui está uma fonte que ilustra a diferença salarial que comentei – que no caso não é da medicina, mas de funções empresariais, mas serve bem como ilustração:
          http://www3.catho.com.br/salario/action/artigos/As_diferencas_salariais_entre_Homens_e_Mulheres.php

          • Rodrigo Paiva

            Números são muito facilmente “torturados” pra falar o que a gente quer, a pesquisa, por exemplo, não diferencia salário de remuneração, somente no final tem quase uma nota de rodapé falando que lá não consta essa informação. Eles pegam médias somam e dividem tudo pelo número de pessoas na função isso não mostra preconceito nenhum, talvez se mostrasse uma diferença específica eu acreditaria Diferença de salário é vedado na CF , já remuneração pode. Duvido MUITO que uma grande empresa, que tem um setor jurídico dedicado de a mancada de pagar salários diferentes pra homem e mulher, eu até dei uma procurada rápida de ações na Justiça sobre assunto (isso com certeza renderia uma gorda indenização à mulher) e não achei. desculpa a demora pra responder é que não acesso esse Disqus normalmente

          • O que já aconteceu em uma empresa que trabalhei foi, o gerente do local saiu, a unica pessoa por questão de hierarquia que podia assumir era uma mulher (não vou lembrar agora o nível dela), ela acabou tendo que pegar as funções da gerencia, mas recebia menos que o gerente por causa do nivel, e quando perguntaram quando que ela iria ser efetivada, falaram que não iam, que estavam apenas esperando encontrarem um gerente para colocar no lugar, sendo que poderiam muito bem terem colocado ela. Isso ocorre, nem sempre em grandes empresas, e tem gente que não sabe como correr atras da indenização ou tem receio de perder o emprego.

      • Rodrigo Paiva

        Valeu por responder e desculpa pela demora, então cara, a periculosidade é só um dos fatores que formam o salário, se fosse de assim o policial tinha q ganhar mais do que o juiz. Sobre o restante: ou TODOS os preconceitos são permitidos, ou TODOS são proibidos, não pode ter essa de certos preconceitos serem aceitos.

        • A periculosidade é só um dos fatores, mas ainda é um fator muito importante, talvez até mais do que outros.
          Quanto a questão de “TODOS os preconceitos”, o que isso tem relacionado ao meu comentario em si?

          • Rodrigo Paiva

            Se a periculosidade for mais importante do que os outros fatores cria-se um gap salarial enorme entre homens e mulheres pq em trabalhos perigosos encontra-se praticamente só homens …rs. Esse inclusive, é um dos fatores que levam esse povo de humanas, que faz esses estudos, a achar que homens ganham mais do que mulheres pelo mesmo trabalho, isso é mentira,
            Quando digo TODOS os preconceitos está relacionado ao comentário preconceituoso de que todo homem é um estuprador em potencial, esse povo fala tanto em acabar com preconceitos, mas sempre se apóia em preconceitos…

          • É preciso analisar se a periculosidade é mais importante que outros, em quais casos, e se é possivel colocar um grau de importância.
            No caso de existir praticamente homens em trabalhos perigosos, é preciso ter certeza se de fato isso é verdade, se for, o que então causa isso? Pois a principio não teria motivo, devido que ambos, se bem capacitados podem exercer a mesma função. Então se ocorre ja tem algo errado. Mas como eu disse, é preciso avaliar isso bem, pois quando nos deparamos com o que pode ser um trabalho perigoso, até áreas relacionado à enfermagem pode entrar nisso (como citei em comentário anterior) e essas são áreas da qual se encontra facilmente mulheres.

            Quanto ao “estuprador em potencial”, nós explicamos isso nesse episodio, me diga o que você entendeu de nossa explicação, pois talvez não tenhamos sido claros.

          • Rodrigo Paiva

            A sua vida não pode ser valorada, mas em tese eles pagam um adicional pela sua vida, que em geral é uma merreca e sobre estatísticas de mais homens em trabalhos perigosos:

            “Women incurred less than one tenth of the job-related fatal injuries and about one-third of the nonfatal injuries and illnesses that required time of to recuperate in 1992-96. During this period women accounted for just under 50 percent of the Nation’s workforce.
            One explanation for this large discrepancy is that women are employed in relatively less dangerous jobs such as teaching or service occupations. Few women work in the construction trades or in other high-risk jobs where work is generally performed outdoors. But if more women enter high-risk occupations their risk of injury or death may increase.”
            Fonte:
            http://digitalcommons.ilr.cornell.edu/cgi/viewcontent.cgi?article=2122&context=key_workplace
            O motivo é que as mulheres são mais espertas e não querem esse tipo de trabalho…rs
            Brincadeira, acho que pode ter algo com a evolução: na maioria das sociedades o homem ocupa as funções mais perigosas. Não dá pra comparar o perigo do trabalho de uma enfermeira com o de um mineiro e eu não acho errado a enfermeira ganhar mais.
            Quanto ao estuprador em potencial não tem o que explicar vcs falaram bem claramente “todo homem é um estuprador em potencial” e foram várias vezes principalmente a convidada, que foi bem enfática.

          • Cuidado, usar o conceito de evolução nesse aspecto pode ser perigoso, pode-se cair em falacias, pois achismos não contam como evidencias.
            Quanto ao estuprador em potencial, preciso que vc diga o que entendeu de nossa explicação do termo nesse episodio de Pergaminhos, voce precisa me mostrar que entendeu o que de fato eu quis dizer, senão estaremos conversando sobre pontos diferentes. Nesse ultimo comentario voce não explicou, apenas repetiu a frase.

          • Rodrigo Paiva

            Falei por puro achismo mesmo não pesquisei por fontes.
            Vc foi bem claro no episódio falou que todo homem é um estuprador em potencial, o que semanticamente não está errado, mas não deixa de ser ofensivo e preconceituoso, da mesma forma que dizer que toda mulher é uma estupradora em potencial (sim existem muitos casos) ou que todo negro é um bandido em potencial

          • Estou tendo que deduzir o que voce entendeu da nossa explicação, pois voce ainda não mostrou isso muito bem. Mas tudo bem, só que agora fiquei sem entender, tem como ser semanticamente correto e ao mesmo tempo preconceituoso? Se uma pessoa possui a capacidade de fazer algo, e eu digo que ela é capaz de fazer algo, isso seria preconceito?

          • Rodrigo Paiva

            Então, que nem falei antes, é verdade que, semanticamente, todo negro é um bandido em potencial (poderia ser qqr ser humano), mas é preconceituoso falar isso, agora é só mudar negro por homem e criminoso por estuprador que vc vai entender o que eu estou falando.

          • As frases por si só não são, pois estão fora de qualquer outro contexto. A ideia de preconceito é, como diz a própria palavra, ter um conceito de algo previamente a um conhecimento. Dizer que todo X é Y, é preconceito pois não teremos conhecimento de todos Xs pra afirmar, e a palavra potencial ai que faz a diferença. Mas acho que não preciso me alongar nisso pois é algo óbvio.

            No entanto, como falei, fora do contexto, não é preconceito, pode até ser ofensivo, mas isso tambem depende (pelo menos em parte) de quem ouve. E é preciso saber o motivo de tal frase, você entendeu que o motivo dessa frase aqui foi mostrar que para uma mulher, dependendo da situação, todo homem que cruzar por ela, pode representar aos olhos dela, uma possivel ameaça de estupro? E que somados a diversos outros fatores sociais e culturais essa possibilidade tende aumentar, ou pelo menos tornar-se mais aparente perante a possivel vitima?

            Por isso eu insisti em saber o que voce tinha entendido do que falamos, não queria ter que me repetir, pois já é um conceito que já expliquei mais vezes do que gostaria, e que no fundo me incomoda, não por defender o conceito em si, mas sim porque querendo ou não eu estou falando por terceiros, já que, falando de modo mais especifico, eu não faço parte do grupo que de fato é vitima no assunto geral que tratamos.

            Acredite, em um site que fala de religião, você com certeza não foi o primeiro e não será o ultimo a se ofender aqui, apesar de curiosamente dessa vez o tema tenha sido mais cultural e social do que religioso. Mas peço desculpas se te ofendemos, pois longe de querermos ofender alguem pura e simplesmente por isso, ou ser preconceituosos, e isso inclui a convidada, ja que tal escolha foi feita por motivos de confiança.

            Eu pessoalmente não me incomodo com uma frase assim. Eu sei dizer o que eu faria ou não, e quem me conhece também (inclusive a convidada, pois ja somos conhecidos), mas eu entendo perfeitamente o receio de uma pessoa desconhecida ao cruzar na rua comigo. E ao invez de me sentir ofendido, eu tento tornar a situação o melhor possivel para a pessoa, no mundo perfeito a situação obviamente não seria essa. Não me sinto diretamente culpado por isso, e muito menos culpa da outra pessoa, e sim mais um reflexo de inumeras caracteristicas de nossa sociedade que acredito que temos que melhorar. Mas no fim, eu estando ofendido ou não, uma mulher na rua vai continuar assustada do possivel perigo que ela corre.