Alguns Deuses, Coribantes, Dáctilos e Erínias

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Traduzido e Adaptado por Rafael Brito

[b]Clímene[/b]
Tradução: Fama, Infâmia (klymenos). Da região da Ásia

Clímene era a deusa do renome, seja a fama ou a infâmia; uma das Ocêanides mais velhas e esposa de Jápeto. Era também descrita como uma das criadas da deusa Hera.
Sendo seu marido a representação da mortalidade, Clímene representa a fama que os mortais tentam obter para que não sejam esquecidos quando não mais viverem.

Clymene

Era também chamada de Ásia. O termos Ásia era originalmente utilizado para nomear a Anatólia peninsular (atual Turquia) ao invés de todo o continente asiático. Mais especificamente, a Ásia era o antigo império dos Lídios, uma região associada com seus filhos Prometeu e Epimeteu. Aparentemente, não possui relação com a ninfa Clímene, que era amada pelo deus Hélio.

Na mitologia grega, Clímene é o nome que surge com, pelo menos, seis diferentes referências:
Uma Oceânida – chamada por alguns de Ásia – que se casou com Jápeto e teve os titãs Atlas, Prometeu*, Epimeteu e Menoetius.
Uma Oceânida que, com Hélio (ou com Apolo), teve Faetonte; em alguns contos, é uma esposa fiel, e também mãe das Helíades; em outras lendas, é a esposa de Mérope e amante de Hélio.
Mãe de Deucalião, cujo pai foi Prometeu. Possivelmente a mesma de uma das referências anteriores (relações incestuosas entre pais e filhos ocorrem ocasionalmente entre as deidades mais antigas da mitologia grega).
Esposa de Mérope e rainha da Etiópia, mãe de Pandareus, possivelmente a mesma citada acima.
Mãe de Atalanta e esposa de Schoeneus ou Iásio, rei da Arcádia.
Neta de Minos e mãe de Palamedes, cujo pai foi Náuplios, rei de Eubéia.
Mãe de Diomedes, que tem por pai o deus Ares.

* Na peça de Ésquilo Prometeu Acorrentado, Prometeu surge como filho da deusa Têmis, sem que se identifique o pai (mas, ainda assim, Atlas aparece como seu irmão).
Devido à prática comum entre os Titãs do casamento entre irmãos, é provável que Ésquilo tenha se utilizado de tal costume para trazer Têmis como esposa de Jápeto, o que não ocorre na tradição dos textos de Hesíodo, em que Têmis e Mnemósine seriam apenas consortes de Zeus. Mas seria realmente próprio dos feitos de Zeus ter tomado as esposas dos Titãs como amantes, posto que derrotara seus maridos.

[b]Métis[/b]

Para os gregos, Métis (“sabedoria”) fora a primeira esposa de Zeus e mãe de Atena. Era a deusa da sabedoria e dos pensamentos. Foi ela quem deu a Zeus um emético para fazer Cronos vomitar os irmãos do deus.

metis e zeus

Zeus envolveu-se com Métis, mas logo temeu as conseqüências de tal ato: Havia-se profetizado que Métis teria um filho (ou um neto) mais poderoso que o próprio pai. Assim, em vista de evitar tão perigosas conseqüências, Zeus a fez transformar-se em mosca e engoliu-a. Era tarde demais: Métis já estava grávida. Ao tempo do nascimento, ela começou a fazer um capacete e uma armadura para a criança que iria nascer. O martelar da fabricação do capacete fez com que Zeus sentisse terríveis dores de cabeça, ao que o deus pediu que Prometeu (ou Hefesto, ou Hermes, a depender da versão) lhe abrisse uma fenda na testa com um machado. Assim, Atena, filha de Métis, pode sair da testa do deus, já adulta e trajada com sua armadura e seu capacete.

[b]Anchiale[/b]

Anchiale era (provavelmente) a deusa Titã do calor do fogo. Era a esposa de Hekateros, o deus Titã das mãos, e mãe dos Dáctilos (os “Dedos”). Esses deuses primitivos viviam nas encostas do Monte Ida (seja no de Creta ou da Frigia), e juntos representava o poder dos dedos e mãos para criar e utilizar o fogo. De fato, foi o próprio irmão de Anchiale, Prometeu, que roubou o fogo dos céus para a humanidade (segundo uma versão, Anchiale também seria filha de Jápeto, mas nada se fala quanto a sua mãe).

Seu nome provavelmente é derivado das palavras ank, um prefixo que significa “revelar; descobrir”, khlia e alee, significando “calor; aquecimento”. O nome deve ter um duplo significado, sendo ankalê um fardo que se levava sob o braço (o que sugere o material a ser usado para acender o fogo).

[b]Euríbia[/b]

Euríbia era a deusa que dominava o mar, filha de Pontos e Gaia. Governava também as forças externas que o influenciavam, como o movimento das constelações, os sistemas climáticos associados a estas, e o poder dos ventos.

Seu marido era Crio, o deus Titã da constelação de Áries, cuja ascensão marcava o início do calendário grego. Seus filhos, Pallas e Perses, também representavam constelações, sendo a de Pallas a Capella de Auriga, e a de Perses, Sírius. Seu terceiro filho, Astraios, era o pai das demais estrelas e dos ventos sazonais, cujo aparecimento era regulado pela rotação das constelações.

Os netos de Euríbia herdaram seu forte poder sobre o mar; eram eles: os Anemoi (Ventos), as Astra (Estrelas), Hekate, Selene (Lua), Nike (Vitória), Bia (Força), Kratos (Poder), Zelos (Rivalidade). Muitos deles representam a dominação humana sobre as ondas: ventos para velejar, estrelas para guiar a navegação, e força e poder para a supremacia naval.

[b]Coribantes[/b]

Os Coribantes eram dançarinos eunucos que adoravam a deusa frígia Cibele através de seus tambores e sua dança. Os Curetes eram os nove dançarinos que veneravam Réia, a contraparte cretense de Cibele.

Esses dançarinos, trajados em armadura, conduziam seus cultos em ritos de orgia, acompanhados por gritos selvagens e a música frenética de flautas, tambores, e címbalos. A dança, segundo o pensamento grego, era uma das artes típicas de povos civilizados, tal como a fabricação de vinhos e a música. Dançar com armadura era um ritual de iniciação na idade adulta masculina ligada à celebração de vitória de um guerreiro. O êxtase selvagem de seu culto pode ser comparado ao culto das Bacantes, seguidoras de Dionísio. Ovídio, em sua Metamorfoses, diz que eles nasceram da água da chuva (Urano fertilizando Gaia), o que pode ligá-los às Híades Pelasguianas.

Os Coribantes frígios eram, freqüentemente, confundidos com outros praticantes masculinos destes rituais de êxtase, como os Curetes cretenses e os Dáctilos, os espíritos da juventude (Kuroi) que agiram como guardiões do Zeus infante.

Na lenda grega do nascimento de Zeus, o ritual dos Curetes de bater lanças em escudos foi tomado como uma tentativa de abafar o choro do deus infante, impedindo que este fosse descoberto pelo pai Cronos.

Coribantes

O classicista francês Henri Jeanmaire mostrou, convincentemente, que tanto os Curetes como o Zeus cretense (chamado “o grande kouros” nos hinos cretenses) estavam intimamente ligados à transição dos jovens rapazes à idade adulta nas cidades de Creta (em Couroi et Courètes: “essai sur l’éducation spartiate et sur les rites d’adolescence dans l’antiquité hellénique” – teste na educação espartana e nos rituais da adolescência na antiguidade helênica; Lille, 1939).

Os Coribantes (ou Curetes) também foram os guardiões de Dionísio quando este era bebê; outras narrativas os trazem como os protetores de Zagreu, que, neste caso, não seria um outro nome para Dionísio, e sim de outra deidade, um filho cretense de Zeus com Perséfone ou Deméter.

[b]Dáctilos[/b]

Eram, possivelmente, deuses das montanhas, inventores da serralharia, do pastoreio, da caça e da apicultura. Foram também os primeiros guerreiros armados e deuses da dança orgíaca de guerra executada em sua honra pelos jovens de Creta e Euboia.

Os [cinco] Dáctilos (ou Curetes) possuíam, acreditava-se, um igual número de irmãs, as Hecatérides, jutos das quais representavam os dez dedos das mãos – daktyloi é a palavra grega para dedos. Os Dáctilos (homens e mulheres) se uniram em matrimônio – uma harmoniosa junção das “mãos” -, e desta união nasceram os Sátiros, as Oréades e os jovens Curetes*.

Foram estes jovens Curetes os primeiros homens de Creta. Cem filhos, que se casaram com as próprias irmãs, as Melíades-Oréiades (ninfas dos freixos – geralmente referidas como “nascidas do sangue de Urano caído em Gaia, quando o deus foi castrado por seu filho Cronos”), de cujos galhos foram feitas as primeiras lanças.

Um deles, Pyrrhikhos, era às vezes identificado com Sileno, um velho sátiro companheiro de Dionísio. Outro, chamado Melisseus, aparentemente estava ligado a Aristeu, o descobridor do mel e da apicultura.

* As deidades Curetes/Dáctilos foram os pais dos cem homens que primeiro surgiram em Creta. Os nomes usados para identificar os pais e os filhos eram freqüentemente trocados – não se pode determinar se os Dáctilos foram os pais do Curetes ou o oposto (ocorrendo até de tal relação ser omitida ou ignorada em certas lendas).

[b]Erínias[/b]
Tradução: Obscuras
Nome Romano: Fúrias

As Erínias eram três deusas (representantes das forças naturais) que vingavam crimes contra a ordem moral e natural. Relacionavam-se especialmente a casos de homicídio, má conduta familiar, heresia e perjúrio. Aqueles que desejassem vingança contra tais tipos de crime podiam invocar a maldição das Erínias sobre o criminoso – sendo as mais poderosas maldições aquelas lançadas por pais em seus próprios filhos. De fato, as Erínias em si nasceram do sangue do deus celeste Urano, para que vingassem sua castração pelas mãos de seu filho Cronos.

Fúrias

A fúria das Erínias se manifestava de várias maneiras. A mais poderosa forma nos casos de parricídio era a loucura pela culpa opressiva. Além disso, a nação que deixasse tal crime impune poderia sofrer a maldição da esterilidade da terra e da fome e subnutrição. Sua ira podia ser aplacada com os devidos ritos de purificação executados pela graça dos deuses, em troca de algum ato de compensação.

Elas eram descritas como horrendas mulheres aladas, cujo cabelo, braços e cinturas eram entrelaçados com serpentes mortais. Eram seres do submundo, que pertenciam à corte de Hades e Perséfone. Lá, nos Calabouços dos Renegados, elas infligiam torturas eternas nos criminosos mais sujos, aqueles que haviam pecado contra os próprios deuses.

  • Diego Miyabi

    “Capella de Auriga” é o nome de um cavaleiro de prata em “Os Cavaleiros do Zodíaco”, n sabia dessa associação. Ou melhor, o nome do personagem é Capella e ele representa a constelação de Auriga(Cocheiro). Deu pra ver que o autor, Masami Kurumada, fez a lição de casa. Eu já sabia que Capella é o nome de uma estrela da constelação de Auriga. Mas a parte mitológica eu não sabia e o autor não explica nada, ele só joga as referências e quem pegar pegou hehehehehehe