Escritos Lendários: Kalciferum

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Primeiro livro do autor Andrei Fernandes, Kalciferum, é um livro com bom enredo, personagens críveis, diálogos interessantes. Mas o que realmente surpreende é a construção de mundo, a qual é rica e complexa.

No livro somos apresentados a Rafael e acompanhamos seu dia-a-dia de desempregado, até que por um golpe de sorte ele consegue um emprego. Depois de ter problemas com Kal, o estagiário, nosso protagonista acaba por descobrir que o colega é um demônio e se vê forçado a assinar com pacto com ele. A partir daí vamos conhecendo o mundo sobrenatural da cidade, e vamos acompanhando uma série de problemas que vão surgindo na vida dos dois.

capa_kalciferum

Kalciferum ganha muitos pontos positivos com suas passagens de slice of life divertidas e leves. Outra qualidade da obra está em seus diálogos, os quais conseguem transmitir uma impressão de naturalidade muito satisfatória. Merece destaque a relação de Rafael com Kal, na qual vemos um embate de duas visões de mundo diferentes, mas, ao mesmo tempo podemos perceber uma crescente tensão sexual entre os dois.

Infelizmente nada pode ser perfeito, assim se é necessário analisar os pontos negativos da obra. Não foi incomum ver uma “quebra” de parágrafos desnecessários, principalmente no começo do livro. Outra coisa um pouco incômoda é o sotaque do personagem russo, o qual parece uma versão abrasileirada do sotaque russo em inglês. A língua russa tem um som de “r” igual ao do português, portanto eles não falam o “r” acentuado quando falam português. Mais autêntico seria colocar eles pronunciando “ye” nas palavras com “e”, ou falando “ a” ao invés do “o” – isso em palavras em que o “o” não for sílaba tônica.

Outro ponto a ser debatido é a relação das personagens femininas com Rafael, tentarei abordar o assunto com o mínimo de spoilers possível. Rafael atraia a simpatia instantânea da maioria das personagens femininas, até aí tudo bem, mas a partir do momento em que algumas delas se sacrificam por ele sem uma razão muito convincente, aí mora um problema. Outra ponto meio estranho foi o arco do bairro oriental. O arco foi bem construído e muito divertido, mas, acrescentou pouco à trama principal. Pode-se argumentar que a relação de Rafael com sua colega oriental foi aprofundada nesse arco, mas essa relação não utilizada posteriormente. A conclusão é que essa parte da história funcionaria melhor como um livro separado, pois tem começo, meio e fim, em si própria.

Feita a análise, só me resta dizer que os erros foram poucos e facilmente corrigíveis; dizer que a leitura do livro foi prazerosa, e que o autor tem um grande potencial; agradecer a atenção dos leitores, e encerrar.

Autora: Melani Lopes Tomé

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